terça-feira, 20 de março de 2012

Mau humor é doença?

Distimia é o nome dessa doença. Reconhecida pela medicina nos anos 80, é uma forma crônica de depressão, com sintomas mais leves. "Enquanto a pessoa com depressão grave fica paralisada, quem tem distimia continua tocando a vida, mas está sempre reclamando", diz o psiquiatra Márcio Bernik, coordenador do Ambulatório de Ansiedade do Hospital das Clínicas (HC).

O distímico só enxerga o lado negativo do mundo e não sente prazer em nada. A diferença entre ele e o resto dos mal-humorados é que os últimos reclamam de um problema, mas param diante da resolução. O distímico reclama até se ganha na loteria. "Não fica feliz, porque começa a pensar em coisas negativas, como ser alvo de assalto ou de seqüestro", diz o psiquiatra Antonio Egídio Nardi, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Se você conhece alguém assim, abra os olhos da pessoa, porque raramente o distímico pede ajuda. Ele não se enxerga. "Para a maioria dos pacientes, o mau humor constante é um traço de sua personalidade. A desculpa pela rabugice recai sempre no ambiente ao seu redor, o que inclui o tempo, o chefe ou a sogra, por exemplo", diz Nardi.

O bancário João (nome fictício), 40, diagnosticado oito anos atrás, confirma: "Eu achava que era algo que vinha desde a infância, que fazia parte da minha educação. Quando o médico disse o que eu tinha, foi como tirar um peso das costas".

Dele e da mulher também, a secretária Helena (nome fictício). "Ele sempre arranjava algum motivo para reclamar. A torneira da cozinha quebrava, e ele via aquilo como se fosse o fim do mundo. Eu vivia em tensão. Fazia de tudo para poupá-lo do dia-a-dia, mesmo assim ele encontrava algo para reclamar", conta ela. A situação piorou quando a intolerância passou a mirar os filhos. "Fomos procurar ajuda, mas demorou anos para alguém acertar o diagnóstico".

Esse transtorno mental atinge, pelo menos, 180 milhões de pessoas no mundo, que, quando não tratadas, tendem a se isolar.

A doença não deve ser subestimada, pois o portador corre um risco 30% maior de desenvolver quadros depressivos graves. "Sem contar que também pode levar as pessoas ao consumo de álcool ou outras drogas, pois elas se iludem achando que assim acabam com a irritação.

Bom humor significa mais e melhor qualidade de vida!

Ter alegria de viver é um bom caminho para envelhecer bem. Até parece conversa de guru de auto-ajuda, mas não é. A importância do bom humor e dos sentimentos positivos está documentada cientificamente. 

Um dos trabalhos mais recentes a respeito do assunto foi conduzido por pesquisadores da Universidade Yale, nos Estados Unidos. Seus resultados mostram que nossas expectativas em relação à velhice determinam o modo como envelheceremos. 

A pesquisa envolveu 660 homens e mulheres com mais de 50 anos. Todos haviam sido entrevistados 23 anos antes. Entre uma dezena de questões, a eles foi perguntado: "À medida que os senhores ficam mais velhos, a vida fica melhor, pior ou igual ao que imaginavam quando eram jovens?". Ao comparar os depoimentos do passado com os óbitos registrados no grupo, os pesquisadores perceberam que aquelas pessoas com uma visão mais otimista da velhice tendiam a viver, em média, sete anos e meio a mais que os pessimistas. 

A conclusão é que o impacto do otimismo sobre a longevidade equivale aos benefícios de não fumar e manter o colesterol e a pressão arterial em patamares saudáveis.

Asinidade Estratégica - Luciano Pires

Então me pego pensando... como é que um sujeito tão inteligente... aliás, um sujeito não, vários sujeitos, tão inteligentes, em papel de liderança na empresa, conseguem tomar uma decisão idiota, em nome de uma estratégia?

Pois saiba que já participei de decisões assim. Já fiz parte, na verdade faço, de tomadas de decisão das quais depois me envergonho. Compactuei com a burrice e assinei embaixo... Algumas vezes assino com a consciência de ser contra, mas de perder para a maioria. Perder para o consenso. Outras vezes, por “deixar pra lá”. E outras, conscientemente fazendo parte da burrada.
O interessante – ou assustador – é que essas pessoas, eu inclusive, no momento da tomada da decisão, estão usando a inteligência. Pensam, elaboram, criticam, analisam e... Agem como asnos.
É o que eu chamo de “asinidade” estratégica. Poderia ser “asnidade”, mas “asinidade” soa melhor...

E se você não sacou, o termo vem de asno mesmo.

Na asinidade estratégica pensamos que estamos cortando gordura enquanto cortamos os músculos necessários para o crescimento. A asinidade estratégica vive do curto prazo, das decisões imediatas que vão representar um risco gigantesco para quem vier lá na frente, seja outro gerente, outro político ou a próxima geração. A asinidade estratégica coloca as questões egocêntricas à frente das questões práticas.

A asinidade estratégica é o recurso dos covardes e incompetentes.

O asno estratégico não faz nem deixa fazer e é capaz de discorrer por horas sobre a correção de seu ponto de vista, revestindo seu discurso com argumentações consistentes, calcadas na “prudência”, “ética”, “interesses dos acionistas”, “imagem”, “padrões” e outros jargões do mundo dos negócios que povoam o universo do asinino estratégico.

A asinidade estratégica floresce principalmente no consenso, na opinião da maioria, preocupada em manter-se nas áreas de conforto. Nasce da má interpretação do conceito de “democracia”. Para os ideologicamente estressados, explico: democracia é bom, é necessário ouvir todos os envolvidos, é bom ter a participação de todos, mas só até um estágio. Dali pra frente, alguém tem que assumir a bronca e partir pra decisão. 

É quando o cagaço e a ignorância dão luz à asinidade estratégica.

A vacina contra a asinidade estratégica é a ação individual. É quando alguém tem a luz, percebe o desastre, chama a atenção e luta com todas as forças para mudar a decisão. Mas esse alguém tem que ter um repertório. Tem que ter conhecimento. Tem que se fazer respeitar. Tem que ter...culhões. Culhões? Na República do Cagaço? Pois é...

É fácil? Claro que não. Quando eu tinha meus vinte, trinta anos, esbanjava energia suficiente para brigar o dia todo contra a asinidade dominante. Mesmo perdendo em 99% das vezes... Hoje, tendo passado dos cinqüenta, não tenho mais saco. Fiquei ranheta, impaciente, insuportável. Teimoso como um... Asno!

Odeio a asinidade estratégica. Por causa dela me sinto burro. Mas felizmente tenho esperanças. Sou um asno consciente.

E é essa consciência que me dá esperanças de um dia, lucidamente, desasnar.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Palavras Vulcânicas 28

"O informar-se nos mantém 'por dentro', conectados com nossos amigos e tribo(s). As ideias são intangíveis, pouco práticas, 'trabalho demais' para recompensa de menos. Poucos cultivam ideias. Todos falam informação. E geralmente informação pessoal.Onde é que você vai? O que está fazendo? Quem você anda vendo? Estas são as 'grandes' questões de hoje." [Neal Gabler - Professor, sobre limitações provocadas pelas redes sociais]

Minha devoção por São José só cresce!


Experiência indescritível...de pai e filho. São José, providenciai!
Por mais de vinte tive a oportunidade e a paciência de pesquisar sobre a figura e a história de São José nas melhores bibliotecas do mundo especialmente naquela de Montreal do Canadá junto ao gigantesco santuário de São José, quase do tamanho do Vaticano. Ao lado, há uma biblioteca que no seu acervo se encontra quase tudo o que foi escrito pelo mundo afora e durante séculos sobre São José até os muitos cordéis do Ceará, pois São José é patrono daquele estado. Ali trabalhei por sucessivas vezes.

sábado, 17 de março de 2012

Bruno Mazzeo “atenta contra a própria profissão”, responde Rafinha Bastos - Maurício Stycer

Em comentário publicado na manhã desta sexta-feira no Facebook, e reproduzido aqui no blog, o humorista Bruno Mazzeo opinou sobre a polêmica ocorrida no espetáculo de humor “Proibidão”, quando um músico negro se sentiu ofendido por uma piada de conteúdo racista e chamou a polícia.

“Chamar um negro de ‘macaco’, como fez o rapaz semana passada em Sampa, o que gerou até policia, não tem nada a ver com humor”, escreveu Mazzeo, referindo-se ao comediante Felipe Hamachi.

No final da tarde, outro humorista, Rafinha Bastos, saiu em defesa de Hamachi e criticou Mazzeo: “Teu texto atenta contra a tua própria profissão, amigão”, escreveu. Veja o comentário postado por Rafinha:

Não gostarem da piada, acho justo. Processarem o comediante, acho justo. Odiarem a família dele, acho justo. Mas pegue o meu exemplo. Estou:

- Proibido por lei de fazer certos comentários sobre determinados grupos de pessoas;
- Perdendo processos judiciais;
- Ameaçado de ir parar na cadeia (sim, essa possibilidade ainda não está descartada).

Você não acha que é preciso fazer uma análise profunda sobre a questão da liberdade de expressão?

Teu texto atenta contra a tua própria profissão, amigão.

Não julgo se a piada foi boa, ou não. Piadas precisam de contexto e só quem tem isso é quem estava no local, mas venho aqui dar o meu apoio ao comediante Felipe Hamachi.

Acerte, erre, mas não seja Bruno Mazzeo, digo, bundão.

Em tempo: Não aprovo o desrespeito contido no final da mensagem, mas acho positivo o debate entre humoristas.

sexta-feira, 16 de março de 2012

O Poder da Validação - Stephen Kanitz

Todo mundo é inseguro, sem exceção. Os super-confiantes simplesmente disfarçam melhor. Não escapam pais, professores, chefes nem colegas de trabalho. Afinal, ninguém é de ferro.

Paulo Autran tremia nas bases nos primeiros minutos de cada apresentação, mesmo que a peça que já tenha sido encenada 500 vezes. Só depois da primeira risada, da primeira reação do público, é que o ator se relaxa e parte tranqüilo para o resto do espetáculo. Eu, para ser absolutamente sincero, fico inseguro a cada novo artigo que escrevo, e corro desesperado para ver os comentários que chegam.

Insegurança psicológica é o problema humano número 1.

O mundo seria muito menos neurótico, louco e agitado se fôssemos todos um pouco menos inseguros. Trabalharíamos menos, curtiríamos mais a vida, levaríamos a vida mais na esportiva. Mas como reduzir esta insegurança? Alguns acreditam que estudando mais, ganhando mais, trabalhando mais resolveriam o problema.

Ledo engano, por uma simples razão: segurança não depende da gente, depende dos outros. Está totalmente fora do nosso controle. Por isso segurança nunca é conquistada definitivamente, ela é sempre temporária, efêmera. Segurança depende de um processo que chamo de "validação", embora para os estatísticos o significado seja outro.

Aqui no Neotéfilo, cadê?!

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