domingo, 21 de maio de 2017

Emili Turú: “La escuela católica tiene más actualidad que nunca”

Emili Turú, superior general de los Hermanos Maristas

“Construir un mundo a su altura”. Ese es el sueño de Emili Turú, superior general del Instituto de los Hermanos Maristas. Y que ese mundo sea construido entre todos. El hermano catalán repasa la actualidad eclesial y de su instituto sin pasar por alto la escuela católica, a la que considera más actual que nunca. Turú hace hincapié en que los jóvenes de hoy siguen teniendo sed de espiritualidad, y esto es “una puerta de entrada excelente para acompañar a los jóvenes en su crecimiento integral”.

PREGUNTA.- En una sociedad cada vez más secularizada, ¿tiene más sentido hoy si cabe la escuela católica?

RESPUESTA.- Creo que la escuela católica, una escuela que quiere educar en valores y para la vida, tiene más actualidad que nunca. Hay que pensar que, para muchos niños y jóvenes, la escuela católica va a ser su único contacto con la Iglesia. De ahí la importancia de que sea una experiencia positiva y que les abra a la posibilidad de otros contactos posteriores, en vez de “vacunarles” contra la Iglesia. Se dice que a los jóvenes cada vez les interesa menos la religión, no obstante, sí sigue habiendo sed de espiritualidad… Por el solo hecho de ser personas tienen sed de espiritualidad; no creo que la religión institucional les interese ni atraiga mucho. Esa sed de espiritualidad (que frecuentemente hay que ayudar a reconocer) es una puerta de entrada excelente para acompañar a los jóvenes en su crecimiento integral. La educación para la interioridad tiene aquí un rol muy importante, así como la oferta de una pastoral juvenil que les ayude a descubrir un rostro de Iglesia cercana a su vida y comprometida con la transformación de la sociedad. (…)

P.- ¿Por qué lucha Emili Turú?, ¿cuál es su sueño?

R.- Mi sueño es que podamos construir entre todos un mundo a la altura de los niños. Me gusta recordar al polaco Janusz Korczak, extraordinario defensor de los derechos de los niños. Murió en el campo de exterminio de Treblinka (1942), donde fue deportado con los niños de su orfelinato, a quienes no quiso abandonar. Le cito: “Me decís: cansa mucho ocuparse de los niños. Y tenéis razón. Añadís: porque tenemos que ponernos a su nivel. Hemos de abajarnos, inclinarnos, encorvarnos, hacernos pequeños. Y en eso os equivocáis. No es eso lo que cansa, sino el hecho de tenernos que elevar hasta la altura de sus sentimientos. Elevarse, estirarse, ponerse de puntillas, acercarse. Para no herirlos”. Sí, un mundo a la altura de los niños. Y sé que es un sueño posible, porque en mis viajes por todo el mundo me he encontrado con miles de personas, de las culturas y creencias más diversas, que están comprometidas, día a día, para hacerlo realidad.


Fonte: http://www.vidanuevadigital.com/2017/05/21/emili-turu-la-escuela-catolica-tiene-mas-actualidad-que-nunca/

terça-feira, 16 de maio de 2017

Mercado Financeiro

O capitalismo financeiro é economicamente improdutivo (não cria riqueza de verdade), socialmente parasitário (vive das receitas produzidas por outros setores da economia) e politicamente antidemocrático (restringe a distribuição da riqueza, cria desigualdades imensas e luta por privilégios).

C.J. Plychroniou, Truthout, 12/09/2014.

domingo, 30 de abril de 2017

Quando é hora de parar - Vladimir Safatle

Segundo pesquisa recente feita pela consultoria Ipsos, 92% das brasileiras e brasileiros acreditam que o país está no rumo errado. No entanto, para quem ocupa atualmente o poder, estas pessoas não contam, a opinião delas é irrelevante. Para eles, a maioria absoluta da população brasileira deve ser tratada como crianças que se recusam a tomar “um remédio amargo” que, no entanto, seria necessário. Isto fica ainda mais evidente quando somos obrigados a ouvir alguns “analistas” a dizer que o governo deveria aproveitar a oportunidade de sua alta taxa de rejeição e impopularidade e “fazer as reformas que o Brasil tanto precisa”. 

É sintomático que o caráter totalitário de afirmações desta natureza não provoque imediata indignação em alguns. Pois a pressuposição fundamental aqui é que a população seria irracional, incapaz de criar julgamentos a respeito de coisas que lhe concernem imediatamente, como leis de trabalho e previdência. Por isto, o melhor governo seria aquele que não se preocupa com sua aceitação popular. Se assim for, melhor definir governos por decreto. Pois essa pressuposição procura legitimar a crença de que não haveria de se ouvir diretamente o povo, pois o povo seria apenas uma somatória de interesses individuais ou de grupos e corporações facilmente manipulável, principalmente em momentos de crise. Caberia ao governo e a seus tecnocratas pensarem no interesse supremo do país e impor um duro processo de sacrifício que nos redimirá ao final. 

É desta forma, que o governo e os “analistas” que o apoiam a mando do sistema financeiro nacional procuram simplesmente se legitimar contra o povo, operar no interior de uma verdadeira guerra civil simbólica, retirando a existência do povo como sujeito político capaz de decisão. Os “representantes” do povo, de forma sintomática, acreditam saber melhor do que seus representados o que é realmente necessário para eles. 

Contra este tipo de arrogância do poder, a greve geral foi criada. Ela é a mais legítima de todas as manifestações políticas pois, no seu cerne, está a recusa em se deixar desaparecer. Ela é a maneira profunda que o povo tem de dizer: “Nós existimos”. Nós existimos como sujeitos, como os verdadeiros soberanos. Quando os que ocupam o poder tentam calar a população e seu descontentamento explícito, ela deve então mostrar sua força de destituição. A paralisação da produção e do movimento, os aviões que ficam no solo, os ônibus que não circulam mais, as escolas fechadas, os bancos lacrados são a forma suprema de um poder de dizer “não”, o mesmo poder que Maquiavel compreendia como definidor do povo, já que o povo sempre emerge ao dizer que não quer ser oprimido pelos grandes.

A greve geral que ocorre hoje não é a manifestação de força de um partido ou grupo político. Ela faz pouco caso dos embates eleitorais que parecem ser o único interesse real da casta política. Ela é fruto da revolta contra a invisibilidade, contra a inexistência. Há um poder que quer nos jogar à inexistência para impor melhor um programa que, até agora, foi capaz de mandar de volta, somente neste ano, 3,6 milhões de pessoas à pobreza, enquanto conseguia conservar intacto os rendimentos e benefícios da elite rentista. 

Este poder quer nos fazer acreditar que é melhor para nós que, no interior de relações trabalhista, o negociado prevaleça sobre o legislado, mesmo quando o negociado implique perda de direitos garantidos pela CLT. Ele nos acha suficientemente estúpidos para acreditar haver ganho no fato da trabalhadora gestante poder, agora, trabalhar em ambiente insalubre, do empregado poder ser obrigado a ter apenas meia hora de almoço por dia, mesmo se trabalhar 12 horas; ou ainda, haver ganho na introdução do contrato de jornada intermitente, no qual o trabalhador recebe apenas pelas horas efetivamente trabalhadas, mesmo que seja obrigado a ficar à disposição do empregado por tempo indeterminado. 

Ou seja, em um exercício primário de sofistaria, alguns dizem: “como é possível que uma legislação de décadas (no caso, a CLT) possa garantir um mercado de trabalho ‘moderno’”. Bem, melhor se defender daqueles cujo conceito de ‘modernidade’ implica em retornar às condições de trabalho do século XIX. Contra esta regressão social primária, o Brasil irá parar.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Eu educo meus filhos - Marcele Alencar

Eu educo meus filhos para que eles saibam que ter comida na mesa, num mundo em que tem gente passando fome, é um privilégio.

Eu educo meus filhos para que eles entendam que estudar em escola particular, num país de escolas sucateadas e de pouco investimento na educação pública, é privilégio.


Eu educo meus filhos para que eles saibam que estudar inglês, fazer artes marciais, aulinha extra de robótica e programação, curso avançado de matemática e interpretação de textos e aulas de instrumentos musicais é privilégio.

Eu educo meus filhos para que eles saibam que ter dinheiro para cineminha, parque de diversões, livros e gibis, internet e tv a cabo em casa é um privilégio e é um luxo.

Eu educo meus filhos para que eles saibam que poder viajar é um luxo raro e um grande privilégio.

Eu educo meus filhos para que eles saibam que o dinheiro é importante, mas não é a razão da nossa vida. Ele promove o básico e alguns luxos, mas mais importante é ter quem vale a pena por perto.

Eu educo meus filhos para que eles sejam capazes de saber o que é luxo, privilégio e mérito. Porque os conceitos estão meio deturpados hoje em dia.

Tem gente que vive cercado de luxo e acha que isso lhe garante um status superior. Tem gente que tem inúmeros privilégios e acredita que é mérito próprio ou de seus genitores.

Eu educo meus filhos pra que eles entendam que mérito é aquilo que se conquista quando se abandona vaidades, zona de conforto, com sofrimento, com suor, com dor.

Eu educo meus filhos para que eles respeitem quem não teve a mesma oportunidade que eles e para que saibam alcançar, com mérito próprio, aquilo que sonharem.

Marcele Alencar
https://www.facebook.com/marcelealencar?fref=nf

quarta-feira, 8 de março de 2017

Se eu fosse mulher gostaria de ter escrito isso*

Parabéns por ganhar menos! Parabéns por ser constantemente molestada e assediada na rua, nas festas, no shopping, em qualquer lugar e a qualquer hora! Parabéns por exigirem que seja super bonita, super magra, super mãe, super profissional, super cuidadosa, super amorosa, super doce, super apoio, mesmo te pagando menos e mal, mesmo te impondo jornadas triplas, mesmo te sugando toda energia! Parabéns por exigirem que siga o padrão hetero, bela, recatada e do lar! Parabéns pela falta de respeito, pela ausência de tato, por te chamarem de louca, bruta e dizerem que sua reação - qualquer reação: choro, grito, estresse... - é falta de pica! Parabéns por só acreditarem no seu valor se existir um homem ao seu lado! Parabéns por todas as vezes que disseram: "assim, nunca vai ter ninguém que te queira"! Parabéns por apanhar da vida e de outras pessoas que acham que são seus donos! Parabéns por morrer em defesa da honra de um macho traído! Parabéns por ser sempre traída e obrigada a aguentar o "instinto masculino" (onde já se viu destruir uma família por uma bobagem dessas?!?!?)! Parabéns por ter medo de andar sozinha, de ser estuprada ou morta! Parabéns pela constante preocupação com sua integridade física! Parabéns por serem putas, vacas, vadias, vagabundas, invejosas, falsianes, recalcadas, emburradas, bruxas, macumbeiras, fracas, frágeis, desunidas! Parabéns pela responsabilidade por tudo de ruim que seus filhos aprontarem! Parabéns pela discriminação por ser mãe solteira! Parabéns por não ser aceita em empregos por ter filhos! Parabéns por não ocupar em igualdade os cargos de gestão, de decisão, os cargos políticos, a alta cúpula! Parabéns por este governo inteiro de machos competentes e sem mulheres à altura! Parabéns por todas as vezes que te pediram para falar com "o homem da casa"! Parabéns por cada assédio em que pediram desculpas ao cara ao seu lado! Parabéns por ser calada, estigmatizada, destratada, maltratada, traída, discriminada, tolhida! Parabéns por suportar, por viver, por ser, por existir, por ir além!

Feminismo NÃO É MIMIMI! Feminismo não é vitimismo! Hoje não é dia de flores, hoje é dia de luta, silêncio e luto. Eu paro por todas nós. Nenhuma a menos.

Marcele Alencar
https://www.facebook.com/marcelealencar?fref=nf

*Texto escrito pelo Dia da Mulher

domingo, 5 de março de 2017

HOMBRES NECIOS - por Juana Inés de la Cruz (tradução livre)

Hombres necios que acusáis
a la mujer sin razón,
sin ver que sois la ocasión
de lo mismo que culpáis.

Homens néscios que acusais
à mulher sem razão,
sem ver que sois a ocasião
daquilo que a culpáis

Si con ansia sin igual
solicitáis su desdén,
¿por qué queréis que obren bien
si las incitáis al mal?

Se com ânsia sem igual
solicitais seu desdém,
por que quereis que façam bem
se as incitais ao mal?

Combatís su resistencia
y luego con gravedad
decís que fue liviandad
lo que hizo la diligencia.

Combateis sua resistência
e logo com gravidade
dizeis que foi leviandade
o que fez a diligência.

Parecer quiere el denuedo
de vuestro parecer loco
al niño que pone el coco
y luego le tiene miedo.

Parecer quer a ousadia
de vosso parecer louco
à criança que põe o coco
e logo dele tem medo

Queréis con presunción necia
hallar a la que buscáis,
para pretendida, Tais,
y en la posesión, Lucrecia.

Quereis com presunção néscia
achar à que buscais,
para pretendida, Tais,
e na possessão, Lucrécia.

¿Qué humor puede ser más raro
que el que, falto de consejo,
él mismo empaña el espejo
y siente que no esté claro?

Que humor pode ser mais estranho
que o que, falto de conselho,
ele mesmo embassa o espelho
e se ressente que não esteja nítido?

Con el favor y el desdén
tenéis condición igual,
quejándoos, si os tratan mal,
burlándoos, si os quieren bien.

Com o favor e o desdém
tens condição igual,
queixando-vos, se os tratam mal,
chacoteando-vos, se os querem bem.

Opinión ninguna gana,
pues la que más se recata,
si no os admite, es ingrata,
y si os admite, es liviana.

Opinião nenhuma deseja,
pois a que mais se recata,
se não os admite, é ingrata,
e se os admite, é leviana.

Siempre tan necios andáis
que con desigual nivel
a una culpáis por cruel
y a otra por fácil culpáis.

Sempre tão néscios andais
que com desigual nível
a uma culpáis por cuel
e a outra por fácil culpáis

¿Pues cómo ha de estar templada
la que vuestro amor pretende,
si la que es ingrata ofende
y la que es fácil enfada?

Pois como há de estar quente
a que vosso amor pretende,
se a que é ingrata ofende
e a que é fácil enfada?

Mas entre el enfado y pena
que vuestro gusto refiere,
bien haya la que no os quiere
y queja enhorabuena.

Mas entre o enfado e pena
que vosso gosto refere,
bem há a que não os quer
e reclama congratulação

Dan vuestras amantes penas
a sus libertades alas
y después de hacerlas malas
las queréis hallar muy buenas.

Dão vossas amantes penas
a suas liberdades asas
e depois de fazê-las más
as quereis encontrar boazudas.

¿Cuál mayor culpa ha tenido
en una pasión errada:
la que cae de rogada
o el que ruega de caído?

Qual maior culpa ha tido
em uma paixão errada:
a que cai de rogada
ou o que roga de caído?

¿O cuál es más de culpar,
aunque cualquiera mal haga:
la que peca por la paga
o el que paga por pecar?

Ou qual é mais de culpar,
mesmo que qualquer mal faça:
a que peca pela paga
ou o que paga por pecar?

¿Pues para qué os espantáis
de la culpa que tenéis?
Queredlas cual las hacéis
o hacedlas cual las buscáis.

Pois para quê os espantais
da culpa que têm?
Querê-las qual as fazeis
ou fazê-las qual as buscais.

Dejad de solicitar
y después con más razón
acusaréis la afición
de la que os fuere a rogar.

Deixai de solicitar
e depois com mais razão
acusareis a passatempo
da que o esteja a rogar

Bien con muchas armas fundo
que lidia vuestra arrogancia,
pues en promesa e instancia
juntáis diablo, carne y mundo.

Bem com muitas armas fundo
que lida vossa arrogância,
pois em promessa e instância
juntais diabo, carne e mundo. 

Juana Inés de la Cruz foi uma monja mexicana, notável poetisa e dramaturga nova-espanhola mexicano-espanhola. Foi a última dos grandes escritores do Século de Ouro. Atribuem-lhe o título de primeira "feminista" latinoamericana.

Quem morre? - Pablo Neruda

Morre lentamente
quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente
quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente
quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco
e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente
quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente
quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.
Morre lentamente,
quem abandona um projecto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
que o simples fato de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos
um estágio esplêndido de felicidade.

quarta-feira, 1 de março de 2017

“Deixe de bobeira, companheira. Sou eu.” - Elika Takimoto

Estava eu lendo as mensagens que recebo inbox (são inúmeras e não dou conta de responder todas) quando vejo a de uma moça dizendo que trabalha no Instituto Lula e gostaria de conversar comigo sobre um texto que escrevi cujo link para quem não viu segue aqui:


A moça que se chama Gabriella pediu meu telefone. Dei uma estalqueada de leve nela para saber com quem estava conversando e se poderia fornecer meu número. Vi várias fotos no perfil dela com o Lula. Quem tira foto com o Lula não pode ser má pessoa, pensei. Quem acreditou e acredita nele torce para que a desigualdade social diminua, fica feliz em ver negros em universidades e pessoas saindo da linha da miséria. Então, concluí, ela tem cara de quem vai fazer um bom uso do meu telefone e do meu voto de confiança.

Em menos de cinco minutos o telefone tocou.

– Elika, Gabriella do Insititulo Lula. Um minuto que vou transferir sua ligação.

– Ok. – respondi pacientemente.

– Alô, Elika. Oi, querida. Aqui quem fala é o Lula.


Abre parêntese.

Não sei o que você pensa a respeito dessa figura histórica, mas uma coisa é fato: quem estava do outro lado do telefone foi o presidente mais amado do Brasil cuja vida se confunde com a luta de toda uma geração de brasileiros que sonha com um país socialmente mais justo.

Não convém enumerar todos os prêmios e condecorações que ele recebeu não somente aqui como em vários outros países. A título de exemplo, no Brasil, Lula recebeu a medalha de ordem do Mérito Militar, Naval, Aeronáutica, a Ordem do Cruzeiro do Sul, do Rio Branco, a ordem do Mérito Judiciário e da Ordem Nacional do Mérito. Recebeu da UNESCO, em 2008 o Prêmio da Paz; em 2009 foi destacado como O Homem do Ano nos jornais Le Monde e o El País. Em 2012 recebeu o prêmio de Estadista Global em Davos na Suíça. Mas há N outros que não citarei para a postagem não virar uma biografia dele.

O que quero dizer a vocês é que eu estava falando com um homem que mudou o destino de muitos brasileiros e no qual votei em todas as vezes em que ele se candidatou para presidente por acreditar no projeto que ele apresentou.

Não estou dizendo que quem me ligou foi o homem mais honesto do Brasil, mas sem dúvida, o homem que proibiu em seu governo a palavra “gasto” quando o assunto era Educação e Saúde. O responsável pelo Brasil ter saído do mapa da fome e por hoje ter nas salas de aula do meu CEFET, negros e pessoas carentes cujo destino foi mudado por uma oportunidade. Como disse no meu texto supra citado “Se ganharam os cotistas com a oportunidade, ganhamos muito mais os professores por entender que capacidade intelectual nada tem a ver com a nota de uma prova de seleção e mais ainda enriqueceram os outros alunos por testemunhar o esforço de quem vive em outra realidade.”

Fecha parêntese.

– Mas o quê? Como?! Lula!!! Não acredito!!!!!

– Acredite, querida. Estou te ligando porque quero te parabenizar e agradecer por esse texto maravilhoso que você escreveu.

– Mas quem me garante que não é um imitador? No Brasil inteiro tem gente que imita o Lula!

– Deixe de bobeira, companheira. Sou eu.

Daí, meu povo, eu saí de mim. Meu coração acelerou. Se fosse o Fernando Henrique me ligando eu ia ficar feliz porque tenho umas coisas para dizer para ele. Mas Lula?! Meodeos. Não queria deixar a emoção estragar aqueles minutos. Pensei: “aproveite esse momento, Elika. Fale, pergunte… agarre a oportunidade. Quantas pessoas você acha que recebe uma ligação do Lula?”, refleti e tentei me acalmar.

– Presidente, – assim o chamei no impulso – eu quero lhe dizer que quem merece ser parabenizado por tudo não sou eu e sim você. Em nome de todos os brasileiros que hoje comem, se vestem e estudam, eu quero dizer: muito obrigada, Lula. E receba todo meu sentimento pelo falecimento de Dona Marisa.

– Obrigada, companheira. Mas quero te dizer umas coisas. Eu não sou de sair ligando para todo mundo. Mas seu texto me tocou muito. Percebi sinceridade nele inteiro e sua angústia com tudo o que está acontecendo. Liguei para te abraçar, agradecer e dizer para continuar sendo quem você é porque você é uma pessoa maravilhosa demais.

Ah gente… sinto muito. Chorei como um bezerro com ele do outro lado da linha e soluçando falei:

– Presidente, eu não quero deixar passar essa oportunidade e preciso te fazer uma pergunta. O nosso país anda esquisito, você viu pelo meu texto que ando sofrendo pressão para deixar de falar sobre política, todo dia uma notícia desse governo que vai de encontro ao projeto de diminuição da desigualdade social… Eu não tenho vontade de desistir de lutar porque sou dessas, meu presidente, de insistir nos sonhos. Mas, por vezes, lutamos apenas para não deixar o inimigo nos abater sem que resistamos, ainda que a morte seja certa. Isso posto: Lula, como você vê o futuro do nosso país? Sua luta está sendo movida pela esperança de ainda tocar para frente o seu projeto ou apenas para ter uma morte política digna?

A resposta veio imediata:

– Companheira, acredite que há muita coisa boa para acontecer. Estou animado e muito otimista.

E me disse muito mais coisas que acho que não convém falar aqui. Frases boas de serem ouvidas, sabe? Dessas que dá vontade da gente fazer muito mais do que anda fazendo pelo próximo.

Enfim, gente. É isso. Lula me ligou, disse que sou maravilhosa e trouxe a força que me faltava para continuar lutando por uma sociedade mais justa.

Felicidade é pouco. O que sinto não tem nome.

Vou ali agora enfartar e já volto.

Zerei a vida…

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Prometo não tocar no assunto - Elika Takimoto

Fui orientada por várias editoras que entraram em contato comigo a não falar de política nas redes sociais caso queira ser uma escritora vendável. Perguntei: e sobre o que posse escrever? Disserte sobre seu trabalho, Educação, ouvi como resposta. Ou sobre os seus filhos, sugeriram.

Pois muito bem, trabalho no CEFET há dez anos como professora de física e há um ano como coordenadora. Cheguei lá pouco depois de Lula ter sido eleito presidente. No dia de minha posse, o diretor falou que ali eu não iria encontrar professores infelizes. Achei estranho, pois vinha da rede estadual e da particular onde professor que não reclama nunca havia visto.

O tempo passou. De fato, nunca vi ali professor reclamando das condições de trabalho. Vi as salas ganhando projetores multimídia e quase todas serem climatizadas. Tudo o que pedimos para que nosso laboratório de física ficasse mais moderno e atualizado conseguimos. Fiz meu doutorado com redução de carga sem redução de salário. Viajei para congressos e simpósios pelo Brasil inteiro tudo bancada pelo CEFET. Jamais, em tempo algum, lembro-me de querer fazer algo ali dentro para os alunos e para meu crescimento intelectual e ser freada.

Há quatro anos, minha sala viu a diversidade. O sistema de cotas foi implementado no meu CEFET. Se ganharam os cotistas com a oportunidade, ganhamos muito mais os professores por entender que capacidade intelectual nada tem a ver com a nota de uma prova de seleção e mais ainda enriqueceram os outros alunos por testemunhar o esforço de quem vive em outra realidade.

Sempre quis dar a melhor educação para meus filhos. Nara se formou ano passado pelo CEFET e ontem, depois de chegar da rua e ter visto o quão alienante é uma escola particular me disse: o CEFET deveria ser obrigatório para todos. As escolas particulares deveriam ser proibidas. Exageros à parte, ela quis dizer que lucrar com educação (e saúde) deveria ser, no mínimo, digno de vergonha.

Moro em Madureira, Yuki tem amigos na escola em que estuda (todos brancos) e, para equilibrar esse universo, levo meu filho sempre no Parque onde a diversidade impera.

No Parque Madureira, semana passada, Yuki conversava com um menino da idade dele (dez anos) que mora na Serrinha. O coleguinha viu a mãe ser estuprada e estava contando para a gente como foi. Ele estava acompanhado do irmão mais velho que estava "andando de skate não sei onde" enquanto ele brincava no parquinho. Disse o menino que o irmão vai matar quem fez isso com a mãe.

Hideo, meu filho mais velho, se formou agora em música. Está doido procurando emprego - assim como seus amigos que se formaram em engenharia, psicologia e ciências socias. Os editais para cultura estão fechados. Sabe Deus com que idade eles vão se aposentar.

Desde o meio do ano passado, recebo orientações de meus chefes imediatos para ajudar na contenção de despesas. Vi professores querendo ir a congressos e impossibilitados por falta de verba. Vai piorar, avisaram.

Temos toda a liberdade para usar metodologias diferentes para ensinar não só no CEFET como em todo o Brasil como já garante a Constituição. Mas essa nova reforma do Ensino Médio engana e toma para si esse discurso que 'agora' as escolas vão poder trabalhar de forma mais livre sendo que, em breve, veremos o aumento da dificuldade dos pobres chegarem às universidades como deixa claro o texto dessa Reforma.

Pronto. Falei do meu trabalho, sobre Educação e sobre meus filhos. Seguirei a orientação e continuarei dissertando sobre esses temas. Trarei números de quantas escolas técnicas foram criadas em dez anos e quantas universidades novinhas em folha visitei. Falarei também sobre a quantidade de amigos que tenho concursados e sobre Lucimar, minha empregada, e suas colegas de trabalho que estão felizes recebendo tudo o que tem direito.

Mas evitarei falar sobre política. Prometo.

Fonte: https://elikatakimoto.com/2017/02/24/prometo-nao-tocar-no-assunto/

sábado, 28 de janeiro de 2017

Entrevista Leandro Karnal à BBC

Graças à internet, 'facilitamos muito para quem odeia', diz Leandro Karnal

Usuário na internetDireito de imagemTHINKSTOCK
Historiador e um dos palestrantes mais requisitados do país atualmente, Leandro Karnal diz que o discurso de ódio sempre existiu nas sociedades mas chama a atenção para a facilidade com que ele se propaga, hoje, graças à internet.
"Hoje é um clique e um site, com muitas imagens. Facilitamos muito para quem odeia. O ódio tem imenso poder retórico. Ele sempre existiu. Agora, existe este ódio prêt-à-porter, pronto, onde você se serve à la carte e pega seu prato preferido", disse ele à BBC Brasil.
Mas apesar da maior facilidade, hoje, de propagação do discurso de intolerância, o professor de história da Universidade Estadual de Campinas diz que "os mais sólidos preconceitos e violências humanos são muito anteriores à globalização".
Leia abaixo trechos da entrevista:
BBC Brasil - Uma das suas frases que mais viralizou e foi repetida em 2016 diz que "não existe país com governo corrupto e população honesta". O sr. acha que a população não se enxerga como responsável também pelo processo de corrupção?
Leandro Karnal - Característica nossa e da humanidade: excluir da parte negativa da equação o pronome pessoal reto EU. Em nenhum momento quis dizer que todos nós, brasileiros, somos corruptos, mas que a corrupção é algo forte na política e que a política é uma das camadas constituidoras do todo social, como um mil-folhas.
A política não é descolada da sociedade, mas nasce e volta ao mundo que a gerou. Os políticos são eleitos por nós. Denúncias são feitas e o político é reeleito. Seria coisa de grotões?
Leandro KarnalDireito de imagemDIVULGAÇÃO
Image captionKarnal afirma que o 'ódio é o mais poderoso opiáceo já criado'
De forma alguma, eu me refiro também aos grandes centros urbanos. A expressão rouba mas faz não nasceu no sertão mas na maior e mais rica cidade do país. Meu alunos costumavam assinar lista de presença por colegas e, depois, ir a uma passeata contra corrupção na política.
A mudança não pode ser somente numa etapa do processo. Se você usa - a metáfora é importante - um lava-jato para limpar seu carro e a estrada continua sendo de terra batida, você precisará de uma nova lavagem todos os dias.
BBC Brasil - Mas de certa forma, responsabilizar a população pela corrupção da classe política pode parecer culpar a sociedade pelos erros cometidos pela elite governista, não?
Karnal - O que eu desejo sempre afirmar é que não existe uma elite separada do todo. Um político ladrão deve ser preso e devolver o que roubou. A culpa é dele e só dele. Mas, se queremos um novo país, devemos discutir na base, na educação, na família, na fila do aeroporto e em todos os campos para uma sociedade mais ética.
BBC Brasil - Nesse sentido, é a desigualdade mesmo nosso maior problema?
Karnal - A desigualdade é a base do problema e colabora para a má formação escolar. Uma sociedade que seja desigual já é um problema, mas uma que não educa nega a chance de corrigir a desigualdade. Como sempre, educação escolar básica é a chave da transformação.
Mudar isto muda tudo, como vimos no Japão e na Coreia do Sul após a guerra. Educação é músculo e osso, limpeza ética do Senado é maquiagem, mesmo quando necessária, como toda maquiagem, passageira.
BBC Brasil - Tivemos nesse fim de ano o episódio do ambulante morto a pancadas após defender uma transexual, também tivemos uma chacina em Campinas na qual o autor deixou uma carta criticando o feminismo. O que explica essa intolerância - racial, de gênero, de classe -, e de que forma ela pode ser combatida?
Karnal - Sempre existiu este ódio que flui por todos os lados. Não é fácil existir e acumular fracassos, dores, solidão, questões sexuais, desafetos e uma sensação de que a vida é injusta conosco. O mais fácil é a transposição para terceiros.
Um homem fracassa no seu projeto amoroso. O que é mais fácil? Culpar o feminismo ou a si? A resposta é fácil. Tenho certeza absoluta de que o autor do crime não era um leitor de Simone de Beauvoir ou Betty Friedan. Era um leitor de jargões, de frases feitas, de pensamento plástico e curto que se adaptava a sua dor.
Esses slogans são eficazes: "toda feminista precisa de um macho", "os gays estão dominando o mundo", "sem terra é tudo vagabundo". Curtos, cheios de bílis, carregados de dor, os slogans entram no raso córtex cerebral do que tem medo e serve como muleta eficaz.
No cérebro rarefeito a explicação surge como uma luz e dirige o ódio para fora. Se não houvesse feminismo, o assassino continuaria sendo o fracassado patético que sempre foi, mas agora ele sabe que seu fracasso nasceu das feministas e ele não tem culpa. Isto é o mais poderoso opiáceo já criado: o ódio.
Protestos pelo impeachment de Dilma Rousseff 2016Direito de imagemBBC BRASIL
Image captionO mercado não distingue consumidores pela posição política, destaca o historiador
BBC Brasil - De que forma as redes sociais acabaram potencializando essa intolerância e esse discurso de ódio. Eles são reflexo da nossa sociedade ou acabam estimulando os comportamentos mais intolerantes e polarizados?
Karnal - Antes era preciso ler livros para criar estes ódios. Mesmo para um homem médio da década de 1930, ele precisava comprar o Mein Kampf de Hitler e percorrer suas páginas mal redigidas. Ao final, seus vagos temores antissemitas era embasados numa nova literatura com exemplos e que fazia sentido no seu universo. Mesmo assim, havia um custo: um livro.
Hoje é um clique e um site, com muitas imagens. Facilitamos muito para quem odeia. O ódio tem imenso poder retórico. Ele sempre existiu. Agora, existe este ódio prêt-à-porter, pronto, onde você se serve à la carte e pega seu prato preferido.
Exemplo? Uma pessoa me disse: "Quem descumpre a lei deveria ser fuzilado! Bandido deveria ser executado". Eu argumentei: "Pela sua lógica, descumprimento da lei merece pena capital. Como a lei brasileira proíbe a pena capital, você está defendo crime e incitação ao crime, na sua lógica, deveria ser punida com pena de morte."
Era uma maneira socrática de argumentar a contradição do enunciado. O caro leitor pode supor que a resposta do indivíduo não foi socrática nem platônica.
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Image captionKarnal destaca que ' a bolha informacional e seus respectivos algoritmos constituem uma zona de conforto para o navegador do cyberespaço'
BBC Brasil - Pensando num contexto geral, a globalização deu errado? Com esse discurso de fechar fronteiras, de medidas protecionistas...Estamos vivendo um retrocesso, um avanço ou uma estagnação?
Karnal - Não havia um mundo harmônico e feliz antes, e não existe agora. O que varia em história é como produzimos a dor. Nosso método atual mudou este método. Os mais sólidos preconceitos e violências humanos são muito anteriores à globalização.
BBC Brasil - Para muitos, 2016 foi um ano marcado pelo avanço de forças conservadoras. Em 2017, haverá eleições na França e na Alemanha, com os partidos de extrema-direita em ascensão. O que vem pela frente?
Karnal - Difícil falar de futuro para um historiador, profissional do passado. A tendência é de uma onda conservadora por alguns anos em quase todos os lugares. Provavelmente, seguindo o que houve antes, depois de experimentar candidatos conservadores que prometem o paraíso e não vão conseguir, os eleitores estarão de novo inclinados a candidatos de outro perfil que oferecerão o paraíso.
As coisas mudam, mas não mudam porque o presidente usa topete ou é conservador. Presidente democratas estavam no poder com Kennedy e Johnson e a violência racial chegou ao ponto máximo. No período Obama, muitos policiais mataram muitos negros, tendo um presidente negro no poder. Então, de novo, não estamos abandonando um paraíso e ingressando no inferno.
Dicionário OxfordDireito de imagemDIVULGAÇÃO
Image captionO dicionário Oxford escolheu "pós verdade" como a palavra de 2016
BBC Brasil - O dicionário Oxford escolheu "pós-verdade" como palavra do ano de 2016. A definição é "circunstâncias em que os fatos objetivos têm menos influência sobre a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais". O conceito é de que a verdade perdeu o valor, e acreditamos não nos fatos, mas no que queremos acreditar que é verdade. Qual sua avaliação sobre essa "nova era" e novo comportamento, que acaba reforçado pelas redes sociais?
Karnal - Sempre fomos estruturalmente mentirosos em todos os campos humanos. A mudança é que antes se mentia e se sabia a diferença entre mentira e verdade, hoje este campo foi esgarçado. O problema talvez seja de critério. Com a ascensão absoluta do indivíduo, o que ele considerar verdade será para ele.
Perdemos um pouco da sociologia da verdade, ou de um critério mais amplo de validação do verdadeiro. No século 18 era o Iluminismo: o método racional que tornava algo aceito como verdade. No 19, foi a ciência e o método empírico para distinguir falso de verdadeiro.
Hoje o critério é a vontade individual. "A água ferve a 100 graus centígrados ao nível do mar". Verdade? A resposta seria diferente no (século) 19 e hoje.
BBC Brasil - Queria falar um pouco sobre as bolhas informacionais. Muita gente se depara com elas nas redes sociais todos os dias - os algoritmos acabam reforçando opiniões, nos oferecendo mais daquilo que nós já acreditamos e isso favorece, de certa forma, as informações equivocadas, mentirosas. Qual sua avaliação sobre isso e sobre o impacto disso para a sociedade?
Karnal - A bolha informacional e seus respectivos algoritmos constituem uma zona de conforto para o navegador do ciberespaço. Importante dizer: para o mercado, o consumidor conservador ou de esquerda compram da mesma forma, então o algoritmo informa qual o perfil do consumidor.
Quem deseja ler a biografia de Obama ou de Trump vai ao mesmo site. O que não mudou nos últimos séculos é que a verdade comercial é superior ao debate epistemológico de validação ou não do que é verdadeiro. Petralhas e coxinhas compram; isentões também. Resta a pergunta que não quer calar: qual a importância do debate sobre posição política sob este prisma? O que de fato importa para quem de fato manda no mundo?