quarta-feira, 19 de julho de 2017

Reinaldo Azevedo humilha Moro

Moro escorrega e admite que sentença contra Lula não tem como base a denúncia do MPF

Pois é... Eu havia escrito aqui e dito na Rede TV e na Band News FM que o juiz não havia estabelecido o nexo entre os contratos citados pelos procuradores e o tríplex. E fui xingado pelo idiotas que não leram nada!

Publicada: 19/07/2017 - 7:33

O país anda tão atrapalhado, e de tal sorte os vigaristas estão presentes ao debate que até a imprensa séria se mostra absurdamente incapaz de separar o principal do acessório. Se a notícia trouxer, de substancial, o alho e, de ornamento, o bugalho, não duvidem: o bugalho vai parar no título. É um troço assombroso. O problema é o leitor, internauta, ouvinte ou telespectador ser surpreendido, mais adiante, por uma decisão da Justiça que, embora lógica, há de lhe parecer absurda. O juiz Sérgio Moro, na resposta aos embargos de declaração interpostos pela defesa de Lula, deu uma escorregada feia, como sabem todos os operadores do direito que atentaram para a questão. E poderá ter consequências. Mas a imprensa não deu bola. Preferiu chamar a atenção para o fato de que o juiz comparou o ex-presidente a Eduardo Cunha. Que importância tem isso? Nenhuma!
Antes que continue, uma lembrança. “Embargos de declaração” constituem um recurso que permite questionar o juiz sobre eventuais passagens obscuras ou até contraditórias da sentença. Em regra, não muda o julgado, a menos que se constate um erro material, que interfira na situação objetiva do réu. Sim, trata-se de um instrumento importante porque pode acontecer o que se verificou desta feita. Vamos ver.
A denúncia (íntegra aqui) oferecida pelo Ministério Público Federal é clara a mais não poder: afirma, com todas as letras, que os recursos que resultaram no tal tríplex do Guarujá derivaram de três contratos mantidos por consórcios integrados pela OAS com a Petrobras: um para obras na Refinaria Getúlio Vargas-Repar e dois para a Refinaria Abreu e Lima. Transcrevo para vocês o trecho:
Com efeito, em datas ainda não estabelecidas, mas compreendidas entre 11/10/2006 e 23/01/2012, LULA, de modo consciente e voluntário, em razão de sua função e como responsável pela nomeação e manutenção de RENATO DE SOUZA DUQUE [RENATO DUQUE] e PAULO ROBERTO COSTA nas Diretorias de Serviços e Abastecimento da PETROBRAS, solicitou, aceitou promessa e recebeu, direta e indiretamente, para si e para outrem, inclusive por intermédio de tais funcionários públicos, vantagens indevidas, as quais foram de outro lado e de modo convergente oferecidas e prometidas por LÉO PINHEIRO e AGENOR MEDEIROS, executivos do Grupo OAS, para que estes obtivessem benefícios para o CONSÓRCIO CONPAR, contratado pela PETROBRAS para a execução das obras de “ISBL da Carteira de Gasolina e UGHE HDT de instáveis da Carteira de Coque” da Refinaria Getúlio Vargas – REPAR e para o CONSÓRCIO RNEST/CONEST, contratado pela PETROBRAS para a implantação das UHDT´s e UGH´s da Refinaria Abreu e Lima – RNEST, e para a implantação das UDA´s da Refinaria Abreu e Lima – RNEST. As vantagens foram prometidas e oferecidas por LÉO PINHEIRO e AGENOR MEDEIROS, a LULA, RENATO DUQUE, PAULO ROBERTO COSTA e PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO [PEDRO BARUSCO], para determiná-los a, infringindo deveres legais, praticar e omitir atos de ofício no interesse dos referidos contratos.”
Na sentença em que condena Lula (íntegra aqui), com efeito, Sérgio Moro não demonstra os vínculos entre os contratos para tais obras e o dito apartamento. Ora, evidenciá-los parecia a todos coisa obrigatória, uma vez que se trata do crime de corrupção passiva. Ainda que a denúncia vincule os diretores nomeados por Lula com os supostos benefícios indevidos, lá está a acusação formal: estes teriam saído dos contratos referentes às três obras.
E a defesa de Lula, por óbvio, levantou essa questão. Até porque, ao arbitrar a multa, o juiz apela justamente aos casos citados pelo Ministério Público Federal. E eis que Sérgio Moro deu uma resposta que não deixa de ser surpreendente. Escreveu ele:
Este juízo jamais afirmou, na sentença ou em lugar algum, que os valores obtidos pela Construtora OAS nos contratos com a Petrobras foram usados para pagamento da vantagem indevida para o ex-Presidente”.
Epa! É mesmo? O curioso é que eu havia afirmado precisamente o que diz Moro. E o fiz em post publicado neste blog, em comentários no RedeTV!News, no jornal matutino da Band News FM e no programa “O É da Coisa”, da mesma emissora. E, claro, fui alvo de ataques mixurucas. Mais: pergunta a defesa com acerto: se é assim, por que o caso está na 13ª Vara Federal de Curitiba?
Ora, então um juiz acata uma denúncia e admite que, ao dar a sentença, decidiu ignorá-la? É claro que a defesa de Lula percebeu a contradição. Ao se explicar, Moro afirmou:
“A corrupção perfectibilizou-se com o abatimento do preço do apartamento e do custo da reforma da conta geral de propinas, não sendo necessário para tanto a transferência da titularidade formal do imóvel”.Pois é: então seria preciso evidenciar a) a existência da conta geral de propinas: b) dentro dela, demonstrar que houve o tal abatimento. E, bem, nada disso está dado.
Aí pergunta o tonto: “Você está defendendo Lula?”. Não! Estou cobrando que um juiz dê uma sentença que guarde relação com a denúncia apresentada. Afinal, testemunhos, provas etc. dizem respeito à dita-cuja, não? Ou algum advogado demonstre que estou errado.
Ah, sim: e qual foi mesmo o destaque que se deu por aí? Moro comparou a ausência de provas de que o tríplex pertença a Lula com a situação de Eduardo Cunha. Escreveu:
“Assim não fosse, caberia, ilustrativamente, ter absolvido Eduardo Cosentino da Cunha na ação penal 5051606-23.2016.4.04.7000, pois ele também afirmava como álibi que não era o titular das contas no exterior que haviam recebido depósitos de vantagem indevida, mas somente ‘usufrutuário em vida’ (….) Em casos de lavagem, o que importa é a realidade dos fatos segundo as provas e não a mera aparência.”
Bem, Moro sabe que são casos que não se comparam, né? Até porque o que se tenta aí é um truque retórico antigo, que não serve ao direito: mostrar que o juiz, por ter agido com acerto num caso, certamente agiu com acerto em outro.
A defesa de Lula diz que vai recorrer novamente. É certo que os desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região vão se debruçar sobre o tema. E, a depender da decisão, a coisa vai para uma corte superior. Reitero: não se trata de responder se o apartamento era do ex-presidente ou não. Eu posso achar que sim. E daí? O Ministério Público Federal precisa apresentar a prova. Moro acha que isso aconteceu. Ocorre que, para chegar a essa conclusão, ele ignorou a denúncia. E se fiou unicamente na delação de Léo Pinheiro.
Se é para comparar, e desta feita de forma devida, não se esqueçam de que o TRF4 absolveu João Vaccari Neto do crime de corrupção passiva, em um dos processos, justamente porque considerou que a condenação em primeira instância se dera unicamente com base na delação.
E, por óbvio, um novo umbral do direito pode ser atravessado, que não me parece bom: o órgão acusador apresenta uma denúncia, e o juiz condena o réu por outra.
Isso vai dar muito pano para toga, podem apostar.
Fonte: http://www3.redetv.uol.com.br/blog/reinaldo/post/xiii-moro-escorrega-e-admite-que-a-sentenca-que-condenou-lula-nao-tem-como-base-a-denuncia-do-mpf/

terça-feira, 18 de julho de 2017

Liberdade de Expressão x Discurso de Ódio - por Moysés Pinto Neto

Existe uma confusão intencional nos discursos de ódio em torno à liberdade de expressão. Ontem teve defensor do Bolsonaro veio aqui e disse: "eu tenho o direito de ter minha opinião". E a resposta a isso é: sim, você tem esse direito mesmo.

Aqui há uma confusão básica entre o que pode ser enunciado e o que vale a pena ser enunciado. Por exemplo, você tem o direito de acreditar que a Terra é plana ou que 2 + 2 = 5? Tem. Se alguém quiser escrever na Folha que 2 + 2 = 5 isso é proibido? Não. No entanto, vale a pena escrever isso? Alguém acha que é produtivo acreditar que a Terra é plana, mesmo que saibamos com milhares de evidências que essa é uma afirmação falsa? Você acha que quem refuta seu artigo dizendo que 2 + 2 = 4 está o censurando? Então aqui o sujeito que defende discurso de ódio -- por exemplo, é preciso negar direitos civis iguais a gays e lésbicas -- está confundindo duas dimensões: a liberdade de pensamento é absoluta, mas na medida em que ela passa à expressão entra no âmbito público deliberativo. E portanto está sujeita à refutação sem que isso constitua censura. Você a expressa por conta e risco. O recente caso do MBL rechaçar o "fact checking" é o mesmo mecanismo: você tem o direito de acreditar em notícias falsas, mas na medida em que as enuncia qualquer um pode ir lá e mostrar a falsidade, tirando seu crédito. Isso é tão parte da liberdade de expressão quanto o seu pensamento privado, sua opinião. Se não aceita isso, quem está contra a liberdade de expressão é você.

No entanto, há que se conceder um ponto: existem muitos segmentos tanto da esquerda quanto de defesa de minorias que também confundem as duas dimensões. É o que os conservadores chamam de "politicamente correto". A expressão, embora tenha as piores raízes e usos, tem alguma razão de ser, pois significa a adoção por parte de ativistas (que Angela Nagle chama de "tumblr liberals") do mesmo tipo de confusão que os conservadores gostam de criar, só que com sinal invertido (isto é, no sentido de proibir). Assim, o "isso é absurdo" se transforma em "você não pode enunciar isso", formando o campo "contracultural" do "politicamente incorreto". E os dois mecanismos se reforçam infinitamente, pois cada um precisa do outro para sobreviver.

Estou recém me familiarizando com tudo isso na minha pesquisa, é tudo muito recente e surpreendente. Porém acho que uma resposta possível talvez seja recuperarmos o espaço dos argumentos, porque o escracho acabou se tornando um tapa-buraco para encobrir a fragilidade das razões. Não dizer: "isso é de direita", ou algo do gênero, mas "isso é errado por isso e isso" exige uma responsabilidade intelectual que vai além do militantismo que tem prevalecido nas redes. Acho que é hora de todos nós -- pessoas a quem repudia esse tom obscurantista que se alastra na sociedade -- começar a se colocar de uma maneira mais sóbria, menos militante, retraçando essa fronteira que pode trazer para o nosso lado novamente pessoas que abandonaram o bom senso devido aos exageros retóricos que cometemos nos últimos anos e acabaram beneficiando mais os autoritários e obscurantistas que aqueles que imaginávamos que iriam se beneficiar.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Como assim, escola sem ideologia? - Marcelo Rubens Paiva

A escola sem um professor de história de esquerda é como uma escola sem pátio, sem recreio, sem livros, sem lanchonete, sem ideias. É como um professor de educação física sem uma quadra de esportes, ou uma quadra sem redes, ou crianças sem bola."

O professor de história tem que ser de esquerda. E barbudo. Tem que contestar os regimes, o sistema, sugerir o novo, o diferente. Tem que expor injustiças sociais, procurar a indignação dos seus alunos, extrair a bondade humana, o altruísmo.

Como abordar o absolutismo, a escravidão, o colonialismo, a Revolução Industrial, os levantes operários do começo do século passado, Hitler e Mussolini, as grandes guerras, a guerra fria, o liberalismo econômico, sem uma visão de esquerda?

A minha do colegial era a Zilda, inesquecível, que dava textos de Marx Webber, do mundo segmentado do trabalho. Ela era sarcástica com a disparidade econômica e a concentração de renda do Brasil. Das quais nossas famílias, da elite paulistana, eram produtoras.

Em seguida, veio o professor Beno (Benauro). Foi preso e torturado pelo DOI-Codi, na leva de repressão ao PCB de 1975, que matou Herzog e Manoel Fiel Filho. Benauro era do Partidão, como nosso professor Faro (José Salvador), também preso no colégio. Eu tinha 16 anos quando os vimos pelas janelas da escola, escoltados por agentes.

Outro professor, Luiz Roncari, de português, também fora preso. Não sei se era do PCB. Tinha um tique nos olhos. O chamávamos de Luiz Pisca-Pisca. Diziam que era sequela da tortura. Acho que era apenas um tique nervoso. Dava aulas sentado em cima da mesa. Um ato revolucionário.
Era muito bom ter professores ativistas e revolucionários me educando. Era libertador.

Não tem como fugir. O professor legal é o de esquerda, como o de biologia precisa ser divertido, darwinista e doidão, para manter sua turma ligada e ajudar a traçar um organograma genético da nossa família. A base do seu pensamento tem de ser a teoria da evolução. Ou vai dizer que Adão e Eva nos fizeram?

O de química precisa encontrar referências nos elementos que temos em casa, provar que nossa cozinha é a extensão do seu laboratório, sugerir fazer dos temperos, experiências.

O professor de física precisa explicar Newton e Einstein, o chuveiro elétrico e a teoria da relatividade e gravitacional, calcular nossas viagens de carro, trem e foguete, mostrar a insignificância humana diante do colossal universo, mostrar imagens do Hubble, buracos negros, supernovas, a relação energia e massa, o tempo curvo. Nosso professor de física tem que ser fã de Jornada nas Estrelas. Precisa indicar como autores obrigatório Arthur Clarke, Philip Dick, George Orwell. E dar os primeiros axiomas da mecânica quântica.

O professor de filosofia precisa ensinar Platão, Sócrates e Aristóteles, ao estilo socrático, caminhando até o pátio, instalando-se debaixo de uma árvore, sem deixar de passar pela poesia de Heráclito, a teoria de tudo de Parmênides, a dialética de Zenão. Pula para Hegel e Kant, atravessa o niilismo de Nietzsche e chega na vida sem sentido dos existencialistas. Deixa Marx e Engels para o professor de história barbudo, de sandália, desleixado e apaixonante.

O professor de português precisa ser um poeta delirante, louco, que declama em grego e latim, Rimbaud e Joyce, Shakespeare e Cummings, que procura transmitir a emoção das palavras, o jogo do inconsciente com a leitura, a busca pela razão de ser, os conflitos humanos, que fala de alegria e dor, de morte e prazer, de beleza e sombra, de invenção fingimento.

O de geografia precisa falar de rios, penínsulas, lagos, mares, oceanos, polos, degelo, picos, trópicos, aquecimento, Equador, florestas, chuvas, tornados, furacões, terremotos, vulcões, ilhas, continentes, mas também de terras indígenas, garimpo ilegal, posseiros, imigração, geopolítica, fronteiras desenhadas pelos colonialistas, diferenças entre xiitas e sunitas, mostrar rotas de transação de mercadorias e comerciais, guerra pelo ouro, pelo diamante, pelo petróleo, seca, fome, campos férteis, civilização.

A missão deles é criar reflexões, comparações, provar contradições. Provocar. Espalhar as cartas de diferentes naipes ideológicos. Buscar pontos de vista.

O paradoxo do movimento Escola Sem Partido está na justificativa e seu programa: “Diante dessa realidade – conhecida por experiência direta de todos os que passaram pelo sistema de ensino nos últimos 20 ou 30 anos –, entendemos que é necessário e urgente adotar medidas eficazes para prevenir a prática da doutrinação política e ideológica nas escolas, e a usurpação do direito dos pais a que seus filhos recebam a educação moral que esteja de acordo com suas próprias convicções”.

Mas como nasceriam as convicções dos pais que se criariam num mundo de escolas sem ideologia? E que doutrina defenderiam gerações futuras? A escola não cria o filho, dá instrumentos. O papel dela é mostrar os pensamentos discordantes que existem entre nós. O argumento de escola sem ideologia é uma anomalia de Estado Nação.
Uma escola precisa acompanhar os avanços teóricos mundiais, o futuro, melhorar, o que deve ser reformulado. Um professor conservador proporia manter as coisas como estão. Não sairíamos nunca, então, das cavernas.

Marcelo Rubens Paiva

Fonte: http://cultura.estadao.com.br/noticias/geral,como-assim-escola-sem-ideologia,10000063143

terça-feira, 4 de julho de 2017

TODOS EDUCAM. A ESCOLA TAMBÉM - Elika Takimoto

Se tem uma coisa que me tira do sério é ouvir professor dizendo “A família educa. A escola ensina.”

Primeiramente (fora, Temer), o que esse professor entende por “ensinar”?

Se for o ato de passar informações para que o aluno faça aquela prova que ele aplica há anos, saiba que suas aulas, professor, estão – em bem melhor qualidade – disponíveis em vários canais do Youtube. No mais, informação por informação temos hoje o que quisermos na web. Como, professor-que-não-educa-e-só-ensina, você justifica para o seu aluno a necessidade de assistir as suas aulas? Se não fossem obrigados, quantos estariam presentes?

Mas, se “ensinar” significar, a la Paulo Freire, criar as possibilidades para a produção ou a construção de um conhecimento, então, isso é Educar. E vale dizer que todos nós nos educamos diariamente. Somos educados quando vemos uma pessoa fazendo uma caridade, quando sentimos o valor de uma abraço, quando observamos uma criança dividindo a merenda com a outra, quando vemos uma inclusão social…, enfim, mediatizados pelo mundo, somos educados e educadores sempre.

O papel do professor, o sujeito que, por essência, trabalha com Educação, não pode ser somente em transmitir conteúdos, mas também – e principalmente – de ensinar a pensar, a refletir, a questionar, de estimular a curiosidade. E isso tem a ver com modificar um ser humano. Não falo aqui de colocar ou tirar valores religiosos nos alunos, mas de fazer com que o aluno pense sobre eles. E que maravilhoso ver um aluno sempre pensando a respeito de seja lá o que for, não é verdade?

Se quiser que a escola continue ensinando os valores religiosos da família, há escolas para isso, as particulares. As escolas públicas não devem ter isso como compromisso por ser laica.

E não vou cair aqui na hipocrisia de dizer que a escola é neutra. Ser laica é uma coisa, neutra é outra. Ou se educa para o silêncio, para a submissão, para a obediência cega ou se educa para entender como funciona essa grande máquina chamada mercado de trabalho. E ambas as formas de educar são políticas. A primeira forma cidadãos-zumbis que acreditam que o mundo é assim, nada mais pode ser feito e só lhes resta ser mais uma peça substituível nesse sistema. A outra…

Então, o ponto todo é explicitar o porquê e o para quê somente “ensinar”. Vocês, professores-que-tem-aversão-ao-ato-de-educar, trabalham para quem? A favor de quem? Vocês estabelecem uma relação dialógica com o saber, buscando uma sociedade democrática ou reproduzem a lógica do sistema no interior das escolas através de exclusões, de estímulo à individualidade e à competitividade?

Em que medida um professor que tenha opinião formada sobre os assuntos mais emergentes e que está disposto a dialogar com seus alunos, a problematizar qualquer saber pode ser acusado de um inculcador ideológico? Quando o professor nada discute com seu aluno, o que ele está lhe ensinando?

Reclamar que o mundo está ruim, que o ser humano está acabando com o planeta, se queixar de violência urbana e não mostrar, dentro de sala de aula (ou fora dela) sempre que possível, os diversos conflitos, pelo contrário, fingir que eles não existem é agir politicamente no sentido de contribuir de forma descarada para que o mecanismo de opressão continue.

Pergunto a esses que reproduzem a frase-mantra do projeto Escola sem Partido (“A família educa. A escola ensina“):

– A quem interessa você, professor, usar essa frase como guia de conduta?
– Por que não lhe encorajam a ser um verdadeiro educador?
– Você repete um modelo de aula. Por quem e para quê esse modelo foi criado?
– Quando os alunos te obedecem e assistem sua aula em silêncio, o que eles estão aprendendo com isso?
– Em que medida desobedecer é ruim?

Pensemos.

A desobediência como divergência é um ato mega transformador, pois só crescemos no embate. Ao ser capaz de dizer não às imposições do sistema, educandos, educandas e educadores reafirmam o seu eu.

Só não aceitamos as mazelas do mundo quando desenvolvemos uma consciência crítica que nos possibilita desobedecer – no sentido de poder provocar mudanças substanciais e não aceitar as injustiças apaticamente.

O que se espera de uma escola que separa os capazes dos incapazes, que não dá espaço ao mínimo questionamento e quando um estudante o faz é considerado como subversivo? Em que medida isso também não é uma atitude política?

Ou educa a favor dos privilégios ou contra eles, ou a favor das classes oprimidas ou contra elas. Ou para falar ou para ficar calado. Aquele que se diz neutro, que apenas “ensina” serve apenas aos interesses do mais forte. Não se iluda, portanto, prezado colega.

Ao professor que se recusa a ser uma marionete desse sistema e se nega a repetir frases ditadoras escritas no Projeto escola “sem partido”, cabe a tarefa árdua e instigante de criar condições para que uma educação democrática seja possível, no sentido de gerar um cidadão solidário, preocupado em superar o individualismo criado pela exploração do trabalho.

Essa tarefa de uma educação pelo coletivo não virá em forma de lei e nem precisa já que os nossos documentos oficiais nos dão total liberdade para isso. Uma escola que gera seres que sabem questionar e não apenas responder já está sendo pensada e trabalhada há anos por muitos educadores que se educam mutuamente e diariamente, vale frisar.

Não é sem motivo que surgiu o projeto “Escola com mordaça” que faz, dentre outras coisas, os professores (frutos desse sistema que não ensina a refletir sequer sobre nossa prática) repetirem a frase que faria Paulo Freire se remexer todo no túmulo: “A família educa. A escola ensina“.

Pelamor, gente.

Que tal outra: “Todos educam. A escola também.”?

Fonte: https://elikatakimoto.com/2017/07/04/todos-educam-a-escola-tambem/

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Bença, vó.

Desde criança, quando descobri que as pessoas boas iam pro céu, a senhora sempre era a primeira da minha lista imaginária das que tinha certeza que iam pra lá. Não sei por que, quando pensava nisso (num átimo de tempo) via Deus sorrindo, cabelão e barba branca, recebendo a senhora de braços abertos. Imaginação de uma criança que não abstraía muito a falta que a senhora faria, mas que conseguia materializar a alegria desse encontro.

A imagem pode conter: 1 pessoa, close-upComo vai ser nosso Natal daqui pra frente, vó? Onde vamos nos encontrar em família? Vai cada um pro seu canto, agora? E os primos?Quando e como vai ser sem sua presença abraçando todos, ovelhas católicas e evangélicas da família? Cheirando a nossa cabeça e mandando a gente ir tomar banho? Tacando mais comida no prato chegando pelas costas de surpresa na gente...(- Tá bom, vó! Não quero mais! 
- Quer sim, tá muito amarelo, meu fí). Saindo da sua cama e indo dormir na rede da sala pra seus filhos, filhas, genros e noras dormirem com um pouco mais de conforto? Quem faz isso hoje em dia, vó? Acabou-se seu cuscuz? E o macarrão ao alho e óleo? E o seu feijão? Quando, agora? Nem a casa da Parquelândia vai ter mais...meu Deus.

Vó, te devo muita coisa, mas a mais genuína é a essência de minha fé. Ser católico, pra mim, se tornou vínculo direto com a senhora, sabia?! Questão de honra. Tudo que vi e aprendi desde pequeno, com 3,4, 5 anos, observando a senhora rezar o terço e ler a Bíblia horas e horas (- Vó, como a senhora consegue ficar assim parada tanto tempo? - Tô rezando meu fí.), levando a comunhão pros doentes, dando plantão no SOS de Deus da Igreja redonda, sendo procurada pelas pessoas pra que a senhora rezasse com a mão na cabeça delas, orando em línguas na minha cabeça quando eu chorava porque minha mãe brigava comigo...ah...tanta coisa. Não à toa quase virei padre, né?! Mesmo saindo do seminário, nunca senti uma gota de decepção da senhora. Inteligente que é, a senhora talvez soube antes de mim que ali eu não seria feliz. Mas eu sou, por ter sido seu neto. Por ser! Pra sempre. Um orgulho danado da senhora, sabia?! Sempre tive. Todo mundo amava e respeitava a senhora. T-o-d-o-m-u-n-d-o. Até hoje não conheço viva alma que sabendo-me seu neto não dissesse que amava a senhora. Era alguém que todo mundo queria que fosse sua vó. Mas era minha. Minha e de mais uns 50 netos e bisnetos nas minhas contas perdidas, fora os 11 filhos legítimos e outros tantos postiços. A Parquelândia era toda sua se se candidatasse a vereadora. Outra coisa: com tanta gente da família se tornando evangélica, percebia que a senhora se fiava em mim, mandava fazer discurso/pregação/oração na noite de Natal (- Braga Neto vai falar! Cala boca minha gente) e ficava satisfeita. Acho que era das poucas vezes que eu realmente podia fazer algo pela senhora, rompendo a timidez de falar pra doutores, mestres, juízes, primos confidentes na adolescência, ou simplesmente pra quem me viu ainda com catinga de mijo, trocando minhas fraldas.

Mas acabou tudo mesmo, vó?! É sério isso? Ok. Vou ficar com minha imagem da infância. A senhora chegando no céu, cheirosa, sorridente, abrindo os braços pra Nosso Senhor, cabelão e barba branca, sorrindo...até que enfim esse abraço. Foram 93 anos de espera.

Te amo, vó. Pra sempre.

Na raça e na paz d'Ele,
J. Braga.

domingo, 21 de maio de 2017

Emili Turú: “La escuela católica tiene más actualidad que nunca”

Emili Turú, superior general de los Hermanos Maristas

“Construir un mundo a su altura”. Ese es el sueño de Emili Turú, superior general del Instituto de los Hermanos Maristas. Y que ese mundo sea construido entre todos. El hermano catalán repasa la actualidad eclesial y de su instituto sin pasar por alto la escuela católica, a la que considera más actual que nunca. Turú hace hincapié en que los jóvenes de hoy siguen teniendo sed de espiritualidad, y esto es “una puerta de entrada excelente para acompañar a los jóvenes en su crecimiento integral”.

PREGUNTA.- En una sociedad cada vez más secularizada, ¿tiene más sentido hoy si cabe la escuela católica?

RESPUESTA.- Creo que la escuela católica, una escuela que quiere educar en valores y para la vida, tiene más actualidad que nunca. Hay que pensar que, para muchos niños y jóvenes, la escuela católica va a ser su único contacto con la Iglesia. De ahí la importancia de que sea una experiencia positiva y que les abra a la posibilidad de otros contactos posteriores, en vez de “vacunarles” contra la Iglesia. Se dice que a los jóvenes cada vez les interesa menos la religión, no obstante, sí sigue habiendo sed de espiritualidad… Por el solo hecho de ser personas tienen sed de espiritualidad; no creo que la religión institucional les interese ni atraiga mucho. Esa sed de espiritualidad (que frecuentemente hay que ayudar a reconocer) es una puerta de entrada excelente para acompañar a los jóvenes en su crecimiento integral. La educación para la interioridad tiene aquí un rol muy importante, así como la oferta de una pastoral juvenil que les ayude a descubrir un rostro de Iglesia cercana a su vida y comprometida con la transformación de la sociedad. (…)

P.- ¿Por qué lucha Emili Turú?, ¿cuál es su sueño?

R.- Mi sueño es que podamos construir entre todos un mundo a la altura de los niños. Me gusta recordar al polaco Janusz Korczak, extraordinario defensor de los derechos de los niños. Murió en el campo de exterminio de Treblinka (1942), donde fue deportado con los niños de su orfelinato, a quienes no quiso abandonar. Le cito: “Me decís: cansa mucho ocuparse de los niños. Y tenéis razón. Añadís: porque tenemos que ponernos a su nivel. Hemos de abajarnos, inclinarnos, encorvarnos, hacernos pequeños. Y en eso os equivocáis. No es eso lo que cansa, sino el hecho de tenernos que elevar hasta la altura de sus sentimientos. Elevarse, estirarse, ponerse de puntillas, acercarse. Para no herirlos”. Sí, un mundo a la altura de los niños. Y sé que es un sueño posible, porque en mis viajes por todo el mundo me he encontrado con miles de personas, de las culturas y creencias más diversas, que están comprometidas, día a día, para hacerlo realidad.


Fonte: http://www.vidanuevadigital.com/2017/05/21/emili-turu-la-escuela-catolica-tiene-mas-actualidad-que-nunca/

terça-feira, 16 de maio de 2017

Mercado Financeiro

O capitalismo financeiro é economicamente improdutivo (não cria riqueza de verdade), socialmente parasitário (vive das receitas produzidas por outros setores da economia) e politicamente antidemocrático (restringe a distribuição da riqueza, cria desigualdades imensas e luta por privilégios).

C.J. Plychroniou, Truthout, 12/09/2014.

domingo, 30 de abril de 2017

Quando é hora de parar - Vladimir Safatle

Segundo pesquisa recente feita pela consultoria Ipsos, 92% das brasileiras e brasileiros acreditam que o país está no rumo errado. No entanto, para quem ocupa atualmente o poder, estas pessoas não contam, a opinião delas é irrelevante. Para eles, a maioria absoluta da população brasileira deve ser tratada como crianças que se recusam a tomar “um remédio amargo” que, no entanto, seria necessário. Isto fica ainda mais evidente quando somos obrigados a ouvir alguns “analistas” a dizer que o governo deveria aproveitar a oportunidade de sua alta taxa de rejeição e impopularidade e “fazer as reformas que o Brasil tanto precisa”. 

É sintomático que o caráter totalitário de afirmações desta natureza não provoque imediata indignação em alguns. Pois a pressuposição fundamental aqui é que a população seria irracional, incapaz de criar julgamentos a respeito de coisas que lhe concernem imediatamente, como leis de trabalho e previdência. Por isto, o melhor governo seria aquele que não se preocupa com sua aceitação popular. Se assim for, melhor definir governos por decreto. Pois essa pressuposição procura legitimar a crença de que não haveria de se ouvir diretamente o povo, pois o povo seria apenas uma somatória de interesses individuais ou de grupos e corporações facilmente manipulável, principalmente em momentos de crise. Caberia ao governo e a seus tecnocratas pensarem no interesse supremo do país e impor um duro processo de sacrifício que nos redimirá ao final. 

É desta forma, que o governo e os “analistas” que o apoiam a mando do sistema financeiro nacional procuram simplesmente se legitimar contra o povo, operar no interior de uma verdadeira guerra civil simbólica, retirando a existência do povo como sujeito político capaz de decisão. Os “representantes” do povo, de forma sintomática, acreditam saber melhor do que seus representados o que é realmente necessário para eles. 

Contra este tipo de arrogância do poder, a greve geral foi criada. Ela é a mais legítima de todas as manifestações políticas pois, no seu cerne, está a recusa em se deixar desaparecer. Ela é a maneira profunda que o povo tem de dizer: “Nós existimos”. Nós existimos como sujeitos, como os verdadeiros soberanos. Quando os que ocupam o poder tentam calar a população e seu descontentamento explícito, ela deve então mostrar sua força de destituição. A paralisação da produção e do movimento, os aviões que ficam no solo, os ônibus que não circulam mais, as escolas fechadas, os bancos lacrados são a forma suprema de um poder de dizer “não”, o mesmo poder que Maquiavel compreendia como definidor do povo, já que o povo sempre emerge ao dizer que não quer ser oprimido pelos grandes.

A greve geral que ocorre hoje não é a manifestação de força de um partido ou grupo político. Ela faz pouco caso dos embates eleitorais que parecem ser o único interesse real da casta política. Ela é fruto da revolta contra a invisibilidade, contra a inexistência. Há um poder que quer nos jogar à inexistência para impor melhor um programa que, até agora, foi capaz de mandar de volta, somente neste ano, 3,6 milhões de pessoas à pobreza, enquanto conseguia conservar intacto os rendimentos e benefícios da elite rentista. 

Este poder quer nos fazer acreditar que é melhor para nós que, no interior de relações trabalhista, o negociado prevaleça sobre o legislado, mesmo quando o negociado implique perda de direitos garantidos pela CLT. Ele nos acha suficientemente estúpidos para acreditar haver ganho no fato da trabalhadora gestante poder, agora, trabalhar em ambiente insalubre, do empregado poder ser obrigado a ter apenas meia hora de almoço por dia, mesmo se trabalhar 12 horas; ou ainda, haver ganho na introdução do contrato de jornada intermitente, no qual o trabalhador recebe apenas pelas horas efetivamente trabalhadas, mesmo que seja obrigado a ficar à disposição do empregado por tempo indeterminado. 

Ou seja, em um exercício primário de sofistaria, alguns dizem: “como é possível que uma legislação de décadas (no caso, a CLT) possa garantir um mercado de trabalho ‘moderno’”. Bem, melhor se defender daqueles cujo conceito de ‘modernidade’ implica em retornar às condições de trabalho do século XIX. Contra esta regressão social primária, o Brasil irá parar.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Eu educo meus filhos - Marcele Alencar

Eu educo meus filhos para que eles saibam que ter comida na mesa, num mundo em que tem gente passando fome, é um privilégio.

Eu educo meus filhos para que eles entendam que estudar em escola particular, num país de escolas sucateadas e de pouco investimento na educação pública, é privilégio.


Eu educo meus filhos para que eles saibam que estudar inglês, fazer artes marciais, aulinha extra de robótica e programação, curso avançado de matemática e interpretação de textos e aulas de instrumentos musicais é privilégio.

Eu educo meus filhos para que eles saibam que ter dinheiro para cineminha, parque de diversões, livros e gibis, internet e tv a cabo em casa é um privilégio e é um luxo.

Eu educo meus filhos para que eles saibam que poder viajar é um luxo raro e um grande privilégio.

Eu educo meus filhos para que eles saibam que o dinheiro é importante, mas não é a razão da nossa vida. Ele promove o básico e alguns luxos, mas mais importante é ter quem vale a pena por perto.

Eu educo meus filhos para que eles sejam capazes de saber o que é luxo, privilégio e mérito. Porque os conceitos estão meio deturpados hoje em dia.

Tem gente que vive cercado de luxo e acha que isso lhe garante um status superior. Tem gente que tem inúmeros privilégios e acredita que é mérito próprio ou de seus genitores.

Eu educo meus filhos pra que eles entendam que mérito é aquilo que se conquista quando se abandona vaidades, zona de conforto, com sofrimento, com suor, com dor.

Eu educo meus filhos para que eles respeitem quem não teve a mesma oportunidade que eles e para que saibam alcançar, com mérito próprio, aquilo que sonharem.

Marcele Alencar
https://www.facebook.com/marcelealencar?fref=nf

quarta-feira, 8 de março de 2017

Se eu fosse mulher gostaria de ter escrito isso*

Parabéns por ganhar menos! Parabéns por ser constantemente molestada e assediada na rua, nas festas, no shopping, em qualquer lugar e a qualquer hora! Parabéns por exigirem que seja super bonita, super magra, super mãe, super profissional, super cuidadosa, super amorosa, super doce, super apoio, mesmo te pagando menos e mal, mesmo te impondo jornadas triplas, mesmo te sugando toda energia! Parabéns por exigirem que siga o padrão hetero, bela, recatada e do lar! Parabéns pela falta de respeito, pela ausência de tato, por te chamarem de louca, bruta e dizerem que sua reação - qualquer reação: choro, grito, estresse... - é falta de pica! Parabéns por só acreditarem no seu valor se existir um homem ao seu lado! Parabéns por todas as vezes que disseram: "assim, nunca vai ter ninguém que te queira"! Parabéns por apanhar da vida e de outras pessoas que acham que são seus donos! Parabéns por morrer em defesa da honra de um macho traído! Parabéns por ser sempre traída e obrigada a aguentar o "instinto masculino" (onde já se viu destruir uma família por uma bobagem dessas?!?!?)! Parabéns por ter medo de andar sozinha, de ser estuprada ou morta! Parabéns pela constante preocupação com sua integridade física! Parabéns por serem putas, vacas, vadias, vagabundas, invejosas, falsianes, recalcadas, emburradas, bruxas, macumbeiras, fracas, frágeis, desunidas! Parabéns pela responsabilidade por tudo de ruim que seus filhos aprontarem! Parabéns pela discriminação por ser mãe solteira! Parabéns por não ser aceita em empregos por ter filhos! Parabéns por não ocupar em igualdade os cargos de gestão, de decisão, os cargos políticos, a alta cúpula! Parabéns por este governo inteiro de machos competentes e sem mulheres à altura! Parabéns por todas as vezes que te pediram para falar com "o homem da casa"! Parabéns por cada assédio em que pediram desculpas ao cara ao seu lado! Parabéns por ser calada, estigmatizada, destratada, maltratada, traída, discriminada, tolhida! Parabéns por suportar, por viver, por ser, por existir, por ir além!

Feminismo NÃO É MIMIMI! Feminismo não é vitimismo! Hoje não é dia de flores, hoje é dia de luta, silêncio e luto. Eu paro por todas nós. Nenhuma a menos.

Marcele Alencar
https://www.facebook.com/marcelealencar?fref=nf

*Texto escrito pelo Dia da Mulher