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Mostrando postagens de Março, 2015

Nossa puberdade democrática em ebulição

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Dilma é honesta.

Se você leu a primeira frase desse texto e ainda seguiu até aqui, há esperanças. Sinal de que você não está tomado por algum extremismo raivoso. 
Sigamos.
Nasci em 1980, quando ainda vivíamos uma Ditadura Militar. Sou de uma geração que tinha pais temerosos do ativismo político, manifestações de rua e tudo que envolve uma democracia plena. Gente que desapareceu, morreu ou sofreu perseguição política ainda era algo muito latente, próximo. E, segundo o senso comum da época, ir à rua reivindicar ou protestar era coisa de "anarquista". Pelo menos era o que falavam lá em casa. Na outra ponta, cresci escutando professores, lideranças sociais e formadores de opinião menosprezando minha geração por nunca irmos às ruas contra tanta injustiça. Segundo eles, acomodávamos nossos cotidianos ao nosso time de futebol ou a hits como "Eguinha Pocotó", "Segura o Tchan" e ponto. Sinceramente, não gostava dessas críticas, mas tinha que engolir. Não percebia…

Kierkegaard explica o ódio na democracia tupiniquim

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O escritor e pensador dinamarquês Soren Kierkegaard (1813 – 1815) viveu 42 anos, mas soube como poucos decifrar a alma humana, aliás, desumana. Ele fazia anotações em diários, o que rendeu uma obra de referência sobre a condição humana e as razões da vida. Como todo brasileiro que não desiste nunca, o jovem dinamarquês sofria na pele com a ignorância e os ódios incontidos daqueles a quem Jesus disse para amarmos uns aos outros.
Numa passagem do livro “O Diário de Soren”, editado por Peter Rohde, Kierkegaard realiza uma proeza que deveria ser comemorada como um gol de placa em final de campeonato de futebol no Maracanâ: explicar porque a democracia no Brasil se transformou em Fla x Flu.
Aos 34 anos anos de vida, ainda no século 19, Kierkegaard acerta na mosca, quando observa uma patologia generalizada de nossa humanidade falível, explicando a mesma psicologia básica que se esconde por trás de fenômenos contemporâneos, como o bullying, a presunção e a demagogia só para ficar nos assal…

Ainda dá tempo - Delfim Neto

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Diante das dificuldades enfrentadas, Dilma escolheu um caminho mais realista, é preciso reconhecer
O objetivo final da nossa organização social é permitir a cada um construir a sua própria humanidade, que não se esgota no trabalho exigido para sua pura subsistência. Pelo contrário, é preciso deixar a cada cidadão mais tempo para realizar-se plenamente, o que exige dele cada vez maior produtividade no trabalho de atender às suas necessidades materiais. Há, aqui, um velho trilema produzido pela natureza humana e comprovado historicamente. Depois de uma seleção quase natural, que dura pelo menos 150 mil anos, os homens não encontraram, ainda, uma organização social que maximize, ao mesmo tempo, a liberdade individual, a igualdade e a eficiência produtiva que lhes permitiria gozar plenamente as duas primeiras.
Desde o começo do século XVIII, ficou claro que elas só poderiam ser acessadas assintoticamente. Trata-se de um jogo entre a eficiência da organização da economia pelos “mercados” (…