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Mostrando postagens de Junho, 2013

Entrevista com maior especialista contemporâneo em movimentos sociais: Manuel Castells

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Maior especialista contemporâneo em movimentos sociais nascidos na internet, o sociólogo espanhol diz que a condução da crise no Brasil mostra que há esperanças de se reconectar instituições e cidadãos. Istoé - O sr. estava no Brasil quando ocorreram os primeiros protestos em São Paulo. Podia imaginar que eles tomariam essa proporção?
Manuel Castells - Ninguém podia. Mas o que eu imaginava, e pesquisei durante vários anos, é que a crise de legitimidade política e a capacidade de se comunicar através da internet e de dispositivos móveis levam à possibilidade de que surjam movimentos sociais espontâneos a qualquer momento e em qualquer lugar. Porque razões para indignação existem em todos os lugares. Istoé - O Brasil reduziu muito a desigualdade social nos últimos anos e tem pleno emprego. Como explicar tamanho descontentamento?
Manuel Castells - A juventude em São Paulo foi explícita: “Não é só sobre centavos, é sobre os nossos direitos.” É um grito de “basta!” contra a corrupção, arrogâ…

Programa de TV argentino humilha cobertura política da Rede Globo

#ReformaPolíticaJá #ArnaldoJaboréumridículo

A primavera brasileira - Ciro Gomes

A linguagem política precisa ser resgatada. Outras expressões, valores básicos de decência, espírito público, amor verdadeiro ao povo, parcimônia, sinceridade, compromisso, projeto Acompanho entre maravilhado e preocupado essas expressivas manifestações populares que, cada vez maiores, acontecem por todo o Brasil. Há muitos motivos, muitas razões, muitas interferências, muito oportunismo e muita energia democrática hoje nas ruas do País.

Não importa tanto o nível de pacifismo do movimento, embora o Mahatma Gandhi e Nelson Mandela sejam mais interessantes para mim do que Joseph Stalin. Importa muito mais entendê-lo e não deixar o mundo politiqueiro brasileiro cooptá-lo, manipulá-lo, desqualificá-lo ou, muito menos, reprimi-lo.

Quando o PT se acertou com o PMDB em Brasília e submeteu praticamente todas as expressões organizadas do pensamento progressista brasileiro a esse banquete cínico e fisiológico, pensava ter praticado o crime perfeito. É isso ou a volta ao passado neoliberal priva…

As multidões nas ruas: como interpretar? - Leonardo Boff

28/06/2013

Um espírito de insurreição de massas humanas está varrendo o mundo todo, ocupando o único espaço que lhes restou: as ruas e as praças. O movimento está apenas começando: primeiro no norte da África, depois na Espanha com os “indignados”, na Inglaterra e nos USA com os “occupies” e no Brasil com a juventude e outros movimentos sociais. Ninguém se reporta às clássicas bandeiras do socialismo, das esquerdas, de algum partido libertador ou da revolução. Todas estas propostas ou se esgotaram ou não oferecem o fascínio suficiente para mover as massas. Agora são temas ligados à vida concreta do cidadão: democracia participativa, trabalho para todos, direitos humanos pessoais e sociais, presença ativa das mulheres, transparência na coisa pública, clara rejeição a todo tipo de corrupção, um novo mundo possível e necessário. Ninguém se sente representado pelos poderes instituídos que geraram um mundo politico palaciano, de costas para o povo ou manipulando diretamente os cidadãos.

Entrevista de André Singer: "A energia social não voltará atrás"

O cientista político André Singer é um festejado teórico do "lulismo" – como ele batizou o alinhamento de segmentos sociais, antes hostis ao PT, às forças políticas comandadas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Embora surpreso com a forma como eclodiu, Singer diz que o movimento que tomou conta das ruas do Brasil estava "meio anunciado". Ele o relaciona à ascensão de um "novo proletariado". Nos últimos anos, diz, ele ganhou emprego e renda, mas vive ainda de forma precária. Para Singer, a emergência do movimento coloca o governo Dilma diante de uma encruzilhada. Os manifestantes pedem mais gastos públicos, enquanto o mercado cobra austeridade.

A entrevista é de Guilherme Evelin, publicada na revista Época, 23-06-2013.

Eis a entrevista.

As manifestações são um abalo para o lulismo? Acabou a lua de mel da maioria da população com o PT?
Elas representam um possível retorno do movimento de massas, ausente no cenário político brasileiro desde, pelo meno…

Leonardo Boff fala sobre as manifestações

Estou fora do pais, na Europa a trabalho e constato o grande interesse que todas as mídias aqui conferem às manifestações no Brasil.

Há bons especialistas na Alemanha e França que emitem juízos pertinentes. Todos concordam nisso, no caráter social das manifestações, longe dos interesses da política convencional. É o... triunfo dos novos meios e congregação que são as mídias sociais.

O grupo da libertação e a Igreja da libertação sempre avivaram a memória antiga do ideal da democracia, presente, nas primeiras comunidades cristãs até o século segundo pelo menos. Repetia-se o refrão clássico: "o que interessa a todos, deve poder ser discutido e decidido por todos". E isso funcionava até para a eleição dos bispos e do Papa. Depois se perdeu esse ideal nas nunca foi totalmente esquecido. O ideal democrático de ir além da democracia delegatícia ou representativa e chegar à democracia participativa, de baixo para cima, envolvendo o maior número possível de pessoas, sempre esteve …

Protesto Passe Livre - Técnicas para a fabricação de um novo engodo, quando o antigo pifa - por Silvia Viana

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Um bom começo para a reflexão que deve se seguir ao dia de ontem (e acompanhar aqueles que virão): observar atentamente a reconstrução do discurso da grande mídia.

Nesse momento, é possível assistir, com nitidez cristalina e ao vivo, cada etapa da linha de produção de uma nova ideologia. E já que a mercadoria ainda não está pronta, é fundamental tomarmos nota de seus componentes para não corrermos o risco de fornecer matéria-prima.

As anotações que se seguem são relativas à audiência da cobertura do Globo News de ontem e da quinta-feira passada; do Jornal da Record e do Jornal do SBT de ontem; e do Cidade Alerta de quinta (sim, eu ainda tenho estômago):

O elemento central do discurso que ora se monta é a minimização dos fins em relação aos meios.

Ao longo das duas horas que assisti a Globo News, em momento algum foi discutida a questão do aumento das tarifas. O fundamental são os meios: o manifesto foi violento ou não, houve, ou não, negociação entre as partes, quais os trajetos e po…

Saímos do facebook

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Você não é só minha namorada. Você é o amor da minha vida.

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Quando digo que “você não é minha namorada” queria que você entendesse como algo bom. Você já sabe, confesso certa rejeição pela manipulação capitalista dessa data que também é dia de São Valentín. Não suporto a ideia de indexar meu afeto a uma compra que foi inventada pra “aquecer o mercado”. Não aguento a lógica consumista.
Fora esse motivo que seria suficiente, há mais.
Aprendi, nas estradas da vida, que outros idiomas são mais ricos pra definirem os estágios dos relacionamentos. O “namoro” nestas línguas simbolizam o estágio do relacionamento em que o casal “inspira amor”, mas não passam de um compromisso temporário e condicionado a certa conveniência adolescente.
Na língua portuguesa começaram a aparecer termos específicos pra dar maior precisão ao que ocorre com os casais de hoje. Outro dia, por exemplo, vi uma conhecida nossa dizer o seguinte no facebook: 
“Sei que já sou uma mulher adulta e talvez “ultrapassada”, mas ainda acredito nas fases da relação afetiva: paquerar, fica…

Recordação - Antonio Prata

"Hoje a gente ia fazer 25 anos de casado", ele disse, me olhando pelo retrovisor. Fiquei sem reação: tinha pegado o táxi na Nove de Julho, o trânsito estava ruim, levamos meia hora para percorrer a Faria Lima e chegar à rua dos Pinheiros, tudo no mais asséptico silêncio, aí, então, ele me encara pelo espelhinho e, como se fosse a continuação de uma longa conversa, solta essa: "Hoje a gente ia fazer 25 anos de casado". 'Não faz sentido, pra que que a pessoa quer gravar as coisas que não são da vida dela e as coisas que são, não?' Meu espanto, contudo, não durou muito, pois ele logo emendou: "Nunca vou esquecer: 1º de junho de 1988. A gente se conheceu num barzinho, lá em Santos, e dali pra frente nunca ficou um dia sem se falar! Até que cinco anos atrás... Fazer o que, né? Se Deus quis assim...".
Houve um breve silêncio, enquanto ultrapassávamos um caminhão de lixo e consegui encaixar um "Sinto muito". "Obrigado. No começo foi compli…

Semana Champagnat 2013 - Carta aos Educadores do Colégio Marista Patamares

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Salvador, Junho de 2013
Prezados(as) Educadores(as),
No ano passado começamos esta Carta da Semana Champagnat aos educadores assim: “Há personalidades que marcam. Lembramos algumas como Teresa de Calcutá, Nelson Mandela, Ayrton Senna (...). Mas por que essas pessoas estão registradas de maneira tão singular em nossa memória coletiva? (...) São Marcelino Champagnat, também. O que o faz ser celebrado por já quase 200 anos, nos cinco continentes e que o perfila entre figuras humanas tão significativas?” Pois é. Talvez tenha a ver com seu caráter, a forma mais visível e marcante de toda e qualquer pessoa digna de ser chamada “personalidade”.
O caráter é distinto do temperamento e da personalidade, embora esteja relacionado a eles. O temperamento refere-se ao estado de humor e às reações emocionais de uma pessoa – o modo de ser. A personalidade envolve a emoção, vontade e inteligência de uma pessoa – aquilo que o individuo é. O caráter, influenciado pelo temperamento e personalidade, é o …

Pé do Victor

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Facebook, o ‘fast-food’ do pensamento - Marcelo Jorge Moraes

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Observatório da Imprensa - 28/5/2013
Outro dia, decidi entrar no Orkut mesmo sabendo que há tempos ele não passa de um grande deserto virtual. Ao visitar comunidades e ler alguns tópicos, senti uma certa tristeza por ver que uma rede social muito mais interessante que o Facebook foi abandonada não porque se tornou obsoleta, mas porque alguns ditadores do que é moda (até na internet eles mandam), num dado momento sentenciaram que a “onda a partir dali seria migrar para o Face”.
A esta altura, os menos avisados já devem ter concluído: “Ah, isso é papo de velho que sempre diz que na sua época tudo era melhor”. Cabe, então, um esclarecimento: Facebook e Orkut foram criados exatamente no mesmo ano: 2004. Sabe-se lá por qual motivo, o Orkut logo virou febre por aqui, com direito até a dezenas de matérias que tentavam explicar seu sucesso. Enquanto isso, o Facebook era um total desconhecido para a imensa maioria dos internautas brasileiros.
Durante quatro, cinco anos, o Orkut reinou absoluto…