Luciano Pires e o fitness intelectual desonesto

Desde 2008 seguia a página de uma cara que admirava bastante, achava mesmo genial. Ele escreve sobre o mundo corporativo, sobre liderança, fitness intelectual, etc. Ah... E escreve muito bem. Era quase do tamanho do Ariano Suassuna pra mim. Era.

Nunca tive problema com o conteúdo político ideológico dele, sempre alinhado com o conservadorismo e o pensamento neoliberal. Ocorre que com o acirramento eleitoral do ano passado ele tirou a máscara de paulista antipetista, movido sempre pela seletividade. Omitiu-se nas agressões que os professores do Paraná sofreram da PM no início do ano. Quando escreveu sobre, pesou o texto colocando culpa nos professores e no sindicato que os representa. Agora se omite no caso dos estudantes que ocuparam suas escolas pra que o governador tucano não as feche. Provavelmente, ele chame de "invasões" das escolas. Ele não admite ser tucano, mas votou no Aécio. E se o Alckmin fosse petista mandando fechar escola, vish...enfim. Ele silencia, porém. (Seletividade sempre!)

Aos poucos fui descobrindo que ele REALMENTE pensa que se acabarem com o petê, resolvem-se todos os problemas do país. Na prática, criticava o Cunha mas alinhou-se a ele contra a corrupção (risos). Esse ano interagi na página dele bem menos que em anos anteriores. O motivo principal foi que a página deixou de ser sobre Fitness Intelectual e passou a ser de antipetismo escancarado mesmo. Estilo Revoltados On Line light. De cada 10 postagens, ao menos 7 eram antipetistas. Surfou nessa nessa onda, ganhou muitos seguidores. O surreal: ele disse textualmente num artigo que esse ganho vertiginoso de seguidores foi em razão do seu pensamento liberal e não pelo ranço antipetista.

Pausa pra rir. Ou melhor, respirar.

Seria engraçado se já não fosse sintoma claro de desconexão com a realidade, já que 90% das pessoas acham que ser "liberal" é não ter nada contra o casamento gay.

O auge de degradação foi a página - dita intelectual - compartilhar e comemorar os gritos do Fábio Jr. em Nova Iorque mandando Dilma, uma senhora de mais de 60 anos, ir tomar naquele lugar. Pronto. Acabou-se o Fitness. Acabou-se o debate sério e honesto. Foi a gota dágua. A desonestidade intelectual se explicitou. Tratava-se de mais um hater. Um hater refinado, mas hater. Movido, veladamente, por ódio a um partido.

Pois bem, HOJE vi mais uma de suas postagens seletivas: o dinheiro de campanha de empreiteira pro petê foi propina, pros outros partidos foi de quermesse. Quando fui comentar que o delator Ricardo Pessoa (da UTC) disse que distribuiu grana entre 15 partidos "para abrir portas" e derrubar aquela falácia, não posso, fui bloqueado. Vejo a página mas não posso interagir.

Censura pura e simples.

Essa experiência porém me ajuda a confirmar: por mais que esse tipo de gente se pretenda democrata, no fundo elas não aceitam o contraditório. Não prezam pela democracia, mas por seus interesses de classe. Numa fase politicamente crítica como a desses tempos, eles calam quem discorda. Afinal, onde já se viu tirar o Brasil do mapa da fome mas não ter financiamento liberado pelo BNDES pro meu negócio?

Vale registrar que me bloqueou depois de ter dito que nunca o faria. Alguém pode perguntar se o xinguei. Não, pelo contrário. Sempre fui xingado por outros seguidores e uma única vez que houve interferência dele em meu favor, aconteceu quando uma doente me discriminou por ser nordestino. No mais, só o ironizei, assim como fui ironizado. E muito.

Por fim, dizem que o Eduardo Cunha é inteligente. Me recuso a aceitar esse adjetivo. O que ele faz pra barganhar e se manter no poder tem outro nome de teor maquiavélico e desonesto. Mas, em todo caso, se algum dia você topar com a página do Luciano Pires, manda um abraço pra ele. Aproveita e diz que não tenho raiva, afinal ele não passa de uma decepção. Um desonesto intelectual, quase do tamanho do Eduardo Cunha. Quase. Nesse sentido, até Cunha é maior.

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