29 de fevereiro, curiosidades sobre o dia inexistente
O dia inexistente - Alfredo Roberto Marins Júnior
“Qual seria a sua idade se você não soubesse quantos anos você tem?”
Confúcio
Peço licença hoje, para não falar de mitos, mas da história humana, que em muitos aspectos mescla-se ao mito. Há uma a frase que afirma que o real da história é a contradição, o que colocaria por terra a idéia que temos, de que os eventos históricos ocorreram da forma sequencial e contínua como os livros nos apresentam.
Apesar de cômoda, esta é não é verdade. Nossa história é cheia de percalços e desvios, que a faz assemelhar-se algumas vezes aos mitos: contraditórios, revisados e ajustados ao longo do tempo. Um exemplo: o calendário.
Para nós que vivemos sob o calendário Gregoriano de um ano de 365 dias divididos em 12 meses, parece que este seja o único modo sensato de dividi-lo e por isto, ele sempre foi assim.
Mas não foi.
Houve um tempo em que o ano tinha "só" dez meses. Depois do sexto mês (sextilis), vinham os meses setembro (7), outubro (8), novembro (9) e dezembro (10). Mas isto causava um sério problema: as estações nunca condiziam com as datas do calendário, porque dez meses não bastavam para que a terra voltasse exatamente à mesma posição em que estava um ano antes.
Com menos dias, o verão começava no ano novo e alguns anos depois, era outono no começo do ano e isto, logicamente, afetava o cultivo de plantas que só crescem em certas épocas do ano.
Na tentativa de "ajustar" o calendário às estações, dois meses foram adicionados após dezembro: Ianuarius e Februarius. O quinto mês (quintilis) passou a sétimo e foi rebatizado para Julho em homenagem a Julio César.
O sexto mês (sextilis) que tinha 30 dias, virou oitavo e foi rebatizado de Agosto, do latim Augustus, por decreto em honra ao imperador César Augusto. Como este não suportava a idéia de ser inferior Júlio César, quis que o seu mês também tivesse 31 dias. Mas de onde retirar este dia?
O mês escolhido foi Fevereiro, cujo nome vem do latim februarius, inspirado em Februus, deus da morte e da purificação da mitologia etrusca. Originariamente, ele possuía 29 dias, mas perdeu um para satisfazer o desejo de Augusto.
Melhorou, mas não resolveu.
O tempo total de translação da Terra ao redor do sol é de 365 dias e 6 horas. Estas horas, representam a quarta parte de um dia. Isto quer dizer que a cada 4 anos, a terra ficava um dia atrasada em relação a órbita. Pode não parecer muita coisa, mas este pequeno atraso acumulado por 720 anos faria o verão mudar para julho e o inverno para dezembro no hemisfério sul.
A solução mais adequada foi “criar” um dia, que deve ser acrescentado no calendário. Este dia é hoje, 29 de fevereiro, o dia que só acontece a cada quatro anos, quando este passa a ter 366 dias.
Há uma história de que a expressão “bissexto” é associada ao duplo seis (66) da expressão 366, de onde viria bi-seis e bissexto, mas para os estudiosos, isto é um grande equívoco histórico, o que sustentaria ser a contradição o real da história.
Hoje, abri mão da mitologia em virtude de tentar demonstrar que a história também pode, vez por outra, parecer-se com o mito. Mas também, para dizer que hoje, 29 de Fevereiro, o dia inexistente, é também meu aniversário.
Tive a habilidade de nascer neste dia no remoto ano de 1980, o que quer dizer que cronologicamente completo hoje meu 32° ano de vida. Mas, se considerarmos que um ano bissexto ocorre a cada 4 anos normais, eu teria, matematicamente, apenas 8.
É claro que esta afirmação o que não condiz com meu porte físico, mas é isto que eu respondo em meio às risadas quando me perguntam a minha idade.

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