Sobre árvores e grupos de jovens

A árvore pejoteira
Rogério Oliveira

Existem muitos tipos de árvores. Há aquelas que são conhecidas por seus frutos, outras pelas belas flores, algumas pelo seu porte e outras tantas pela sombra gostosa que oferecem em dias de calor. 

Não sou especialista em árvores, mas gosto muito delas. Há uma, em particular, que em alguns lugares corre o risco de extinção, mas em outros cantos floresce e frutifica plenamente. Chama-se árvore pejoteira.

Como é que você pode identificar uma delas? Fácil, fácil! Árvores pejoteiras não são solitárias, quando elas brotam, estão sempre em grupo. É possível encontrar dez, doze ou quinze árvores pejoteiras numa região bem próxima.

Há algumas árvores (que não são pejoteiras), que quando crescem num solo muito pobre, tendem a fazer crescer suas raízes mais horizontalmente, para aproveitar dos nutrientes que estão mais na superfície. Este emaranhado de raízes pouco profundas acaba impedindo que outras árvores cresçam ao redor da primeira. Ela se alimenta, mas vive sozinha, isolada.
A árvore pejoteira não tem este “hábito”. Ela tanto pode crescer em terrenos com muitos nutrientes, como em terrenos pobres (embora eu acredite que ela se dá melhor em terrenos pobres mesmo). E você pode me perguntar sobre como ela consegue esta proeza. Sim, a árvore pejoteira é criativa! E muito forte também! Suas raízes vencem os terrenos difíceis e rochas. Ela tem uma raiz pivotante, central e que alcança os nutrientes mais profundos e mais especiais. Ela não fica só na superfície não. Ela vai fundo mesmo.

A árvore pejoteira oferece uma sombra gostosa, revigorante nos dias de calor. Suas flores são vermelhas e brancas. Mas o melhor dela são os frutos. Com uma casca branquinha e uma polpa bem vermelha, é um energético natural. Dizem até que uma delas basta para ter uma semana com pique total. E o melhor, não é calórica!

Alguns amigos meus que estudam este tipo de árvore me disseram que ela dá flores mais bonitas e frutos mais saborosos quando acompanhada de especialistas. Eles mesmos não se chamam “especialistas”, mas cuidadores ou acompanhantes. Acho bonito se chamarem assim. Dizem eles, que vez ou outra é preciso podar a árvore pejoteira.

Podar é um momento difícil para a árvore, mas, diz o cuidador, que a poda estimula o crescimento. Podar um galho fraco no fim do inverno ou começo da primavera irá normalmente causar o novo crescimento que substitui o antigo para crescer mais rápido. 

Há quem não goste da árvore pejoteira, por achar que cresce demais ou que seus frutos são muitos energéticos. Pessoalmente não entendo como alguém não possa gostar dela, mas enfim, dizem que gosto não se discute (um amigo diz que gosto pode se lamentar...). Há também quem cometa o despropósito de cortar a árvore pejoteira ou poda-la em demasia para que não frutifique ou não cresça como deve. Tolos... Se tem uma coisa que eu descobri sobre estas árvores é que elas são extremamente adaptáveis à climas ruins e maus cuidadores. Quando se pensa que uma árvore pejoteira se foi, no lugar dela nasceram outras dez ou doze mudinhas... Ah! A natureza é sábia!
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Na raça e na paz Dele,
J. Braga.

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