Feliz tempo novo!

O fim de um ano velho e o início de um ano novo exercem sempre um fascínio especial sobre as pessoas. Parece que há a sede de renovação, de se despedir bem do ano que passou e iniciar o novo sob a bênção de Deus. Em nossa família, sempre procurávamos passar o revellón ao lado de parentes e amigos. Mas quando era pequeno quase nunca conseguia ficar acordado até a “hora da virada”. Sentia e vibrava apenas com a atmosfera da véspera. A cor da roupa, a comida, os combinados para encontrar os primos, primas, tios, tias, amigos e amigas era uma maravilha! Quando a contagem regressiva começava, entretanto, já estava no “quinto sono”. 

Quando criança, o que marcava minhas viradas de ano, de fato, era o início das aulas. Depois de algum tempo no mesmo Colégio (Marista, claro), já dispensava minha mãe na hora de procurar por minha turma. Sempre havia umas listinhas com os nomes dos alunos nas portas das salas. Não me lembro uma única vez que faltasse aquele frio na barriga a cada lista de que me aproximava. Pois é. Parecia a ansiedade de ano novo. E era! Amava fazer aquelas buscas. Quem estaria na minha turma? Meus amigos continuavam comigo? O time da minha classe estaria bom para os Jogos Interclasses? Alguém saiu da escola? Alguém terá repetido o ano? E os novatos? E aquela menina bonita? Será que finalmente vamos estudar juntos? Quem será minha professora? A com fama de “durona”? Ou a com fama de “boazinha”? 

Pois bem, ciclos que se iniciam continuam gerando ansiedades. Mas, o comum na época de criança pode tomar ares diferentes na idade adulta. Não que a emoção se esvazie. Ela permanece. Talvez menos impactante, mas está lá, causando. O que realmente não muda é que as pessoas podem ser as mesmas, mas paradoxalmente são outras. Somos novos sujeitos, com características objetivas e subjetivas renovadas e ressignificadas em razão de novas vivências e aprendizados. É a pulsão da vida! 

Mudamos sem deixar de sermos os mesmos.

Ao que parece, o que marca a qualidade ou benefício da mudança circula entre três fundamentos: valores, atitudes e comportamentos. Ninguém consegue renovar suas atitudes sem, antes, ressignificar seus valores. Conceitos valorativos errôneos produzem atitudes equivocadas. Só que atitude é uma postura íntima para com a vida, uma espécie de predisposição. Se o comportamento, a ação em si, não corrobora a predisposição anunciada, vira demagogia. Em alguns casos, hipocrisia mesmo. Um dramático condicionamento da vida adulta. Mas é uma bênção que, à semelhança do fruto, ninguém amadurece fora de hora. Seja no revellón, no início das aulas, durante uma missa ou em meio a uma situação de dificuldade na família. Todo tempo é possibilidade. E então, mais do que cronologia, amadurecer terá a ver com revisitar valores, atitudes e comportamentos. 

Ciclos que se iniciam são períodos simbólicos para apropriação da pulsão da vida, da perene renovação em curso. 

Mas é quando se desperta para a mudança que o tempo sagrado do amadurecimento chegou. 

Feliz 2011!


Na raça e na paz Dele, 
J. Braga.

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